Obama e McCain intensificam ataques perto do segundo debate

María Peña. Nashville (EUA), 7 out (EFE).- Os candidatos à Presidência dos Estados Unidos, Barack Obama e John McCain, elevaram o tom de suas acusações hoje, a poucas horas do segundo debate eleitoral e com as pesquisas indicando o favoritismo do democrata.

EFE |

Obama e McCain se enfrentarão hoje, a partir das 22h (horário de Brasília), em Nashville, no Tennessee.

Assim como o primeiro debate, este segundo confronto terá 90 minutos de duração.

Segundo a última pesquisa do "The Wall Street Journal", o candidato democrata supera seu adversário republicano em seis pontos percentuais e, de acordo com a rede "CNN", Obama está em vantagem em pelo menos cinco dos estados mais disputados: Indiana, New Hampshire, Carolina do Norte, Ohio e Wisconsin.

Neste ambiente, a campanha do republicano McCain lançou hoje em todo o país um anúncio televisivo de 30 segundos intitulado "hipócrita", no qual acusa Obama de recorrer a "falsidades" quando questiona sua trajetória.

A imediata resposta da campanha democrata foi um vídeo intitulado "o tema", em alusão à crise econômica, no qual destaca que McCain está desligado da realidade, não tem idéias nem um plano para a economia e recorre a táticas enganosas para desprestigiar seu adversário.

Como "os americanos perdem seus empregos, casas e economias, é hora de (escolher) um presidente que mude a economia, não que mude de tema", ressalta o anúncio.

É nesse contexto que os candidatos participarão do debate desta noite na Universidade Belmont, acompanhados por milhões de espectadores.

Durante uma hora e meia, eles responderão a perguntas do público e a outras de algumas das mais de seis milhões de pessoas que enviaram perguntas através do "MySpace" aos organizadores do debate.

Os candidatos devem responder de 15 a 20 questões selecionadas pelo mediador Tom Brokaw, da cadeia televisiva "NBC", e dos eleitores indecisos que compartilharão o cenário com Obama e McCain.

Para James Lindsay, analista da Universidade do Texas, este debate será fundamental, sobretudo para McCain, que aparece atrás nas pesquisas e pode tirar vantagem de um formato no qual, em princípio, se sente confortável.

Alguns observadores consultados pela Agência Efe prevêem que McCain continuará atacando Obama em assuntos como Guerra do Iraque, política fiscal, crescente expansão do Governo e seus supostos vínculos com o militante radical Bill Ayers, o que a campanha democrata negou.

Os democratas deixaram claro que se McCain continuar nesse caminho, topará com mais ataques sobre o escândalo financeiro dos anos 80, conhecido como "Keating five", e sua rejeição à regulação da empresa privada que, de acordo com a oposição, originou a atual crise do sistema financeiro.

Após os dois mandatos republicanos de George W. Bush, com sua biaxa popularidade, em torno de 30%, McCain tem uma difícil missão, porque a mensagem democrata é de que sua eleição representará "um terceiro mandato de Bush".

Por isso, McCain, que prometeu mudar a cultura política em Washington, tenta transformar o resto da disputa em um referendo sobre Obama e sua capacidade de liderar o país.

Enquanto isso, Obama insiste em dizer que McCain continuará com as fracassadas políticas econômicas do presidente George W. Bush.

"O povo diz que os detesta, mas os anúncios negativos funcionam porque nos ajudam a nos separar do outro grupo", disse Phil Bredesen, governador democrata do Tennessee, em declarações à imprensa estrangeira.

É muito possível, porém, que o debate represente certa trégua.

Kristine Lalonde, especialista em história eleitoral da Universidade Belmont, disse à Efe que "na presença de eleitores de carne e osso é mais difícil recorrer a ataques, porque o povo lhes apresentará casos reais sobre os problemas do país".

"Cada um trará suas próprias histórias de dor, desde o aposentado que perdeu suas economias até o que está sem trabalho. McCain não poderá mudar de página porque a crise não vai desaparecer, e são assuntos que merecem respostas", disse. EFE mp/ab/jp

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