Obama e McCain: Duas estratégias e um destino

Teresa Bouza. Washington, 2 nov (EFE).- Os candidatos à Casa Branca, o democrata Barack Obama e o republicano John McCain, confiaram seu destino a estratégias distintas, que renderam resultados melhores aos democratas a poucos dias do encontro com as urnas.

EFE |

Obama, que derrotou nas primárias do seu partido a senadora Hillary Clinton, à base de uma mensagem de mudança e esperança e do uso da internet para mobilizar eleitores e voluntários e arrecadar dinheiro, aperfeiçoou sua estratégia no corpo a corpo com McCain após assegurar a candidatura em junho.

Já McCain obteve a candidatura republicana em março, sem grandes problemas, graças a sua imagem de conservador moderado e independente.

O ponto de inflexão para McCain aconteceu, ironicamente, em 3 de junho, o mesmo dia em que Obama assegurou sua candidatura.

Nessa noite, o republicano protagonizou um dos momentos mais patéticos de sua campanha, ao pronunciar a cerca de 600 pessoas um discurso tachado de medíocre e sonífero pela imprensa e que contrastou com um entusiasmado discurso de Obama diante de 17 mil eleitores.

Steve Schmidt, um estrategista que até então tinha assessorado McCain informalmente, entrou em contato com o senador pelo estado do Arizona para impedir o que se antecipava como um potencial desastre.

O assessor assumiu o dia-a-dia da campanha e ensinou McCain a repetir duas idéias com disciplina militar. Uma delas era a de que Obama e sua falta de experiência são um grande risco para o país, e a outra é de que o candidato republicano está acima das lutas partidárias e põe os Estados Unidos acima de tudo.

A idéia básica após a estratégia de McCain foi a de ganhar suficientes "ciclos noticiários" para dominar o discurso político e pôr o adversário na defensiva.

Michael Tomasky, editor da edição digital para os EUA do jornal inglês "The Guardian", diz freqüentemente que esta foi a campanha da "operação sobre o terreno" contra a campanha "do ciclo informativo".

Por ganhar o "ciclo informativo", os estrategistas entendem dominar diariamente o discurso eleitoral.

O republicano apostou em anúncios chamativos e em afirmações polêmicas para ganhar a atenção diariamente dos canais de televisão.

O tom negativo da campanha funcionou em um primeiro momento, mas perdeu seu impacto diante da intensificação da crise econômica - que joga contra os republicanos no poder - e o aparente cansaço dos cidadãos com o passar dos dias.

Obama, pelo contrário, decidiu canalizar grande parte de suas energias em um esforço em massa para registrar novos eleitores, entre eles muitos jovens, em uma estratégia que parece render plenos frutos em 4 de novembro, dia da eleição.

Jen O'Malley, diretora de operações da campanha de Obama nos estados considerados chave, assegurou em entrevista coletiva por telefone que tem 1,5 milhão de voluntários em todo o país, opera 770 comitês e contata cerca de 400 mil eleitores diariamente.

Segundo Jen, os voluntários e funcionários da campanha falaram por telefone ou pessoalmente com 12 milhões de pessoas desde o início de setembro.

McCain conta com uma operação mais reduzida, tanto em número de voluntários como em comitês. O republicano se chocou ao longo de toda a campanha com a crescente impopularidade da Presidência de George W. Bush.

As pesquisas prevêem a derrota de McCain na terça-feira, embora o candidato e sua equipe insistam em afirmar que a verdadeira e única pesquisa válida é a do dia das eleições.

A campanha do republicano sustenta que se o senador ganhar em Flórida, Indiana, Missouri, Ohio, Carolina do Norte e Virgínia, estados onde a batalha é acirrada, poderia carimbar o passaporte à Presidência.

Além disso, os republicanos teriam de assegurar algum outro estado pequeno no qual Obama é agora competitivo e manter vantagem nos estados solidamente republicanos, nos quais a vitória é dada como certa.

As apostas dizem que McCain deve perder, mas até a próxima terça-feira a sorte não será lançada. EFE tb/jp

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