Obama e McCain disparam munição final antes das eleições

Por Steve Holland WASHINGTON (Reuters) - Os candidatos à Presidência dos EUA pelo Partido Democrata, Barack Obama, e pelo Partido Republicano, John McCain, gastaram as últimas munições nesta segunda-feira, no encerramento de suas campanhas, trocando acusações e realizando comícios em Estados decisivos. Obama lidera as pesquisas de intenção de voto, mas McCain ainda aposta em uma virada histórica para vencer a disputa.

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Depois de fazer campanha por quase dois anos, os candidatos esbanjaram energia em eventos marcados por grandes aglomerações populares, preparando-se para concluir seus esforços em seus Estados de origem -- Obama em Illinois e McCain no Arizona -- e aguardar pelo veredicto dos norte-americanos na votação de terça-feira.

Desafios imensos esperam o vencedor, entre os quais fazer com que a economia norte-americana volte a crescer, travar as guerras no Iraque e no Afeganistão, controlar o déficit orçamentário que hoje se aproxima dos 500 bilhões de dólares e recuperar a imagem de única superpotência mundial.

O interesse na eleição que escolherá o sucessor do impopular presidente George W. Bush é grande. Milhões de norte-americanos já votaram antes da terça-feira e autoridades preparam-se para enfrentar longas filas nos locais de votação. É possível que os EUA registrem um recorde de comparecimento às urnas, deixando para trás o total registrado em 2004, de 121 milhões de votos.

Os candidatos iniciaram seu último dia de campanha na Flórida, cena da famosa batalha da recontagem dos votos que Bush venceu em 2000. Esse é um Estado no qual McCain precisa vencer para evitar ser derrotado no pleito nacional.

Obama, de 47 anos, que pode se transformar no primeiro presidente negro do país, continuou a defender uma mudança anti-Bush e parecia à vontade diante de sua vantagem nas pesquisas de intenção de voto, tanto nacionalmente quanto em muitos Estados decisivos.

"Após décadas de políticas fracassadas em Washington, oito anos de políticas malsucedidas de George Bush e 21 meses de uma campanha que nos levou da costa rochosa do Maine ao sol da Califórnia, estamos a apenas um dia de mudar os EUA", afirmou Obama a simpatizantes em Jacksonville (Flórida).

McCain, que enfrenta o desafio gigantesco de prorrogar o controle republicano sobre a Casa Branca pela terceira vez consecutiva, tendo de carregar nos ombros os baixos índices de popularidade do atual presidente, aposta em uma final milagroso.

'MEDINDO AS CORTINAS'

"Os especialistas já nos consideraram uma carta fora do baralho antes e meu adversário está medindo as cortinas da Casa Branca", afirmou McCain em um comício realizado em Tampa (Flórida). "Os especialistas podem não saber disso e os democratas podem não saber disso, mas o 'Mac' está de volta. Vamos vencer esta eleição."

McCain, de 72 anos, que pode se transformar no político mais idoso a ser eleito presidente dos EUA para um primeiro mandato, acusou Obama de querer elevar os impostos a fim de implantar políticas esquerdistas e tentou rebater os esforços do adversário para ligá-lo a Bush, afirmando não ser Bush.

"Se o senador Obama desejava enfrentar George Bush, deveria tê-lo feito quatro anos atrás", afirmou.

A campanha de dois anos, que teria custado cerca de 2 bilhões de dólares, continuará mesmo no dia das eleições. McCain fará escalas no Colorado e no Novo México depois de votar no Arizona. Obama fará um apelo final por votos na terça-feira, em Indianápolis. Geralmente um Estado republicano, Indiana flerta com os democratas neste ano.

Os norte-americanos votarão em um processo que equivale a 51 eleições separadas nos 50 Estados do país e no Distrito de Columbia. O presidente norte-americano não é aquele que conquista o maior número de votos no país todo, mas o que conquista a maioria do Colégio Eleitoral, cujos 538 membros estão divididos entre os Estados segundo a proporção de suas bancadas no Congresso.

Enquanto Obama pode contar com várias combinações de Estados que podem lhe render os 270 delegados necessários, o caminho de McCain é estreito. O republicano vem fazendo campanha principalmente em Estados nos quais Bush venceu em 2004, tentando assim defendê-los e, ao mesmo tempo, esperando conquistar a Pensilvânia (tradicionalmente democrata).

Nas eleições legislativas, que ocorrem também na terça-feira, os democratas parecem ter tudo para ficar com o controle tanto da Câmara dos Representantes (deputados) quanto do Senado. Todas as 435 cadeiras da Câmara estão em jogo, e 35 das 100 cadeiras do Senado também serão disputadas.

(Reportagem adicional de Jeff Mason, Caren Bohan e Andy Sullivan)

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