Teresa Bouza. Washington, 17 nov (EFE).- O presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, se reuniu hoje em Chicago com seu adversário nas eleições de novembro, o republicano John McCain, e os dois mostraram sua vontade de cooperar em assuntos de segurança, energia e na solução da crise financeira que o país atravessa.

Obama e McCain se reuniram hoje na sede do escritório de transição de Obama em Chicago, o primeiro encontro entre ambos desde a vitória do democrata nas eleições presidenciais de 4 de novembro.

"Tivemos uma conversa produtiva hoje sobre a necessidade de lançar uma nova era de reforma para lutar contra o desperdício e o amargo partidarismo em Washington a fim de restaurar a confiança no Governo", disseram Obama e McCain em comunicado conjunto no final do encontro.

Os dois reiteraram a necessidade de que ambos os grupos da política americana unam esforços para "solucionar os desafios comuns e urgentes".

"Esperamos trabalhar juntos nos dias e meses vindouros em desafios críticos como a solução da crise financeira, a criação de uma economia baseada em novas formas de energia e na proteção da segurança de nosso país", disseram.

Os dois mostraram bom humor durante uma breve sessão fotográfica na sede do escritório de transição de Obama em Chicago.

A imagem contrasta com alguns dos momentos mais memoráveis da briga pela Casa Branca entre Obama e McCain, como o primeiro dos três debates entre os dois.

Na ocasião, o republicano preferiu não olhar nos olhos de Obama uma única vez e chegou a se referir ao democrata com um depreciativo "esse".

Porém, os antes adversários demonstraram hoje que estão dispostos a deixar de lado as ofensas e rivalidades.

O encontro parece demonstrar, além disso, a disposição do próximo presidente de trabalhar com amigos e inimigos.

Pode ser que Obama, um ávido leitor, tenha decidido aplicar a máxima de Mario Puzo, autor de "O Poderoso Chefão", que acreditava ser necessário "manter os amigos próximos e os inimigos ainda mais perto".

Ontem mesmo, Obama reconheceu, durante uma entrevista ao canal de televisão "CBS", que ultimamente passou algum tempo lendo sobre o presidente Abraham Lincoln (1861-1865), famoso por ter incluído muitos de seus inimigos políticos no Governo.

"É algo que você considera (incluir adversários em seu Governo)?", questionou o entrevistador.

"Acho que ele era um homem muito sábio", disse Obama.

Apesar da evasiva resposta, Obama antecipou que incluirá algum republicano em seu Governo e se comprometeu a trabalhar para pôr fim às lutas partidárias que vetaram muitos projetos em Washington.

McCain é uma importante peça para materializar essa estratégia, ao ter um longo histórico de cooperação bipartidário em temas que Obama quer impulsionar durante sua Presidência, como a mudança climática e a reforma migratória.

Com ambas as câmaras do Congresso dominadas pelos democratas, Obama não precisará conquistar os republicanos para a aprovação de assuntos menores.

A coisa deve ser diferente na hora de buscar o sinal verde do legislativo para a reforma do sistema sanitário e a luta contra o aquecimento do planeta.

Faltando serem esclarecidas algumas disputas, os democratas têm pelo menos 55 das 100 cadeiras no Senado, mas não conseguiram alcançar a marca de 60.

Essa marca impede o "filibusterismo", subterfúgio parlamentar para prolongar debates e impedir votações, artifício a que comumente recorre o partido em minoria.

Isso explica a necessidade de que Obama tenha a mão senadores como McCain e independente Joe Lieberman, ambos defensores de leis que limitem as emissões de gases estufa.

McCain também colaborou com vários senadores democratas no desenvolvimento de um projeto de lei para melhorar a eficiência automobilística, outra idéia apoiada por Obama.

O senador republicano perdeu a reputação de político independente capaz de trabalhar com os democratas, após sua guinada à direita durante a campanha eleitoral, mas perdida a batalha pela Casa Branca poderia voltar a suas origens.

"Precisamos do velho John McCain no Senado atualmente. Não há nenhum outro republicano com o mesmo poder de persuasão" para conseguir consenso entre os dois grupos, disse o senador democrata por Nova York Charles Schumer, em declarações publicadas no "Wall Street Journal". EFE tb/rr

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