Obama e McCain criticam expulsão de embaixadores por Venezuela e Bolívia

Washington, 12 set (EFE) - Os candidatos democrata e republicano à Presidência dos Estados Unidos, Barack Obama e John McCain, respectivamente, condenaram hoje a expulsão dos embaixadores dos EUA na Venezuela e na Bolívia, a qual qualificaram como uma provocação injustificada. Os dois senadores, que disputam a liderança na política externa, emitiram comunicados para condenar a decisão dos presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, e da Bolívia, Evo Morales, à qual Washington respondeu fazendo o próprio. Obama afirmou que a expulsão dos embaixadores dos EUA na Venezuela, Patrick Duddy, e na Bolívia, Philip Goldberg, é um confronto fabricado do Governo de Caracas. Em sua opinião, o Governo de Chávez procura desviar a atenção de sua crescente incapacidade para cumprir as necessidades básicas de seu povo, sua rejeição das normas democráticas fundamentais. Isso incluiria a exclusão de candidatos da oposição das próximas eleições, assim como crescentes preocupações sobre o apoio ao narcotráfico por parte de funcionários desse país, acrescentou. A campanha de Obama disse que este deixou claro que, como presidente, colocará fim à era de má gestão e abandono de (o chefe de Estado americano, George W.) Bush e preencherá o vazio que o presidente Chávez tenta preencher com uma agenda antiamericana.

EFE |

A porta-voz para assuntos de segurança nacional de Obama, Wendy Morigi, disse que o senador por Illinois renovará a liderança dos EUA na América Latina "mediante uma aliança para impulsionar a democracia, a oportunidade e segurança a partir de baixo, e dará a liderança" que assegure a independência do petróleo estrangeiro.

A Venezuela é um dos principais fornecedores de petróleo aos EUA e Chávez voltou a ameaçar cortar as provisões da commodity se houver uma agressão contra seu país.

Sobre a expulsão de Goldberg, acusado pelo Governo de La Paz de instigar a violência de grupos opositores, Obama considerou que "a Bolívia deve resolver suas tensões internas através do diálogo, não tentando culpar outras pessoas ou recorrendo à violência".

"Obama encoraja o presidente (Evo) Morales a avaliar seu rumo atual para o bem da Bolívia, seu povo e sua futura relação com os Estados Unidos", disse Morigi.

Por sua parte, McCain também condenou as ações de Chávez e Morales e afirmou que esta escalada das tensões diplomáticas é uma lembrança "das tendências perigosas" neste continente.

O "regime autoritário" do presidente Chávez "reprime seu povo e tenta comprar o apoio na Bolívia e em outras partes. A ameaça que Chávez representa se estende além de suas fronteiras", afirmou McCain.

O senador republicano do Arizona lembrou que, contra Chávez, pesam acusações "críveis" de ajuda a terroristas que tentam desestabilizar seu vizinho democrático, Colômbia.

Segundo McCain, funcionários venezuelanos de alta categoria nas Forças Armadas e os serviços de inteligência foram apontados por dar apoio a "atividades narcoterroristas".

McCain também se referiu à cooperação militar entre Venezuela e Rússia, país que enviou dois bombardeiros Tu-160 Blackjack à Venezuela para manobras conjuntas no Caribe, no que seria o primeiro desdobramento de aeronaves russas no continente desde a Guerra Fria.

A Rússia deu a Chávez mais de 100 mil rifles de assalto AK-47 "e uma fábrica para produzir mais", afirmou.

Para McCain, não existe qualquer ameaça realista que justifique o reforço militar da Venezuela, que aparentemente inclui helicópteros de combate russos, caças Su-30 e outros arsenais.

McCain afirmou que a contínua dependência dos EUA do petróleo estrangeiro "demonstra a necessidade de ampliar as explorações" para suas próprias fontes de energia.

Também destacou as diferenças que mantém com seu adversário sobre o rumo da política energética dos EUA e o futuro de suas relações na região.

Nesse sentido, McCain acusou Obama de se opor à prospecção em solo americano que, em sua opinião, reduziria a dependência nas importações petrolíferas "de ditadores como Hugo Chávez".

Ao destacar sua trajetória com o continente, McCain afirmou que trabalhou "para isolar e enfraquecer as forças que ameaçam a liberdade e prosperidade na América Latina". EFE mp/db

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