Obama e McCain clamam vitória após golpes certeiros

Um embate marcado por golpes certeiros, mas sem nenhuma passagem que possa ter sido caracterizada como um nocaute. Assim foi o primeiro debate da campanha presidencial americana entre os senadores John McCain (republicano) e Barack Obama (democrata), realizado nesta sexta-feira, na cidade de Oxford, no Estado de Mississippi.

BBC Brasil |

Por conta do tom emparelhado do debate, ambos os lados cantaram vitória.

Para o estrategista-chefe da campanha de Obama, David Axelrod, o democrata apresentou um forte argumento em prol da mudança nos Estados Unidos, ao passo que McCain pareceu defender as mesmas políticas que estão sendo rejeitadas pelo povo americano.

''Ele enfatizou que é hora de mudarmos nossas prioridades. E que há claras diferenças entre ele e McCain em temas como Iraque e política econômica'', afirmou.

O tema central do debate estava previsto para ser política externa, mas, por conta do caos no sistema financeiro, perguntas ligadas à economia acabaram dominando os primeiros 39 minutos.

Obama aproveitou a ocasião para associar a atual crise com a gestão do presidente George W. Bush e as políticas defendidas por McCain.

O republicano chegou a anunciar a suspensão de sua campanha e sua participação no debate por conta da discussão no Congresso do megapacote econômico de US$ 700 bilhões, mas acabou voltando atrás.

Farpas
"John, foi o seu presidente, com quem você disse concordar em 90% das vezes, que administrou esse aumento de gastos'', afirmou Obama.

Em outra passagem, ele tentou provar que McCain teria um histórico retrógrado e próximo ao da atual administração no que diz respeito à exploração de energias alternativas.

''Nos últimos 26 anos, o senador McCain votou por 23 vezes contra o uso de energias alternativas, como solar, eólica e o biodiesel'', afirmou.

McCain, por sua vez, procurou explorar o que caracterizou como erros de avaliação de Obama em relação ao suposto êxito da operação de mandar mais soldados para o Iraque e a disposição do democrata de se encontrar com o líder do Irã, Mahmoud Ahmadinejad.

''O senador Obama se recusa a reconhecer que estamos vencendo no Iraque'', afirmou McCain, e, em seguida acrescentou que um encontro com Ahmadinejad daria legitimidade a um líder que vem ameaçando Israel, o que seria ''não apenas ingênuo, seria perigoso''.

Papéis trocados
Apesar de a maior parte das pesquisas apontarem que os eleitores consideram a economia um dos pontos fracos de McCain e julgarem que o republicano é mais experiente em temas de política internacional do que o rival, os assessores dos dois candidatos pareceram acreditar que os papéis se inverteram no debate desta sexta.

''John McCain sempre se vangloria de suas credenciais de 26 anos em política internacional. Esse é o terreno dele, mas hoje à noite ele não mostrou serviço. Barack Obama mostrou conhecimento dos temas, em especial ao frisar que a Guerra do Iraque nos fez desviar das frentes centrais na guerra contra o terror, o Afeganistão e o Paquistão'', afirmou Susan Rice, assessora de política internacional de Obama.

Rice ainda acrecentou que ''Obama foi presidencial e McCain parecia hesitante. Dava a impressão de não querer jogo''.

Já Tucker Bounds, porta-voz da campanha de McCain, disse à BBC Brasil que o senador republicano conseguiu destacar, de forma eficaz, a suposta ingenuidade de Obama e a independência dele, McCain, em relação ao governo Bush.

''As pessoas que acompanharam e que cobriram esse debate irão ver que John McCain foi fiel a seu histórico de ir contra a atual administração em temas que vão desde aquecimento global até política internacional e economia'', afirmou.

De acordo com Bounds, McCain mostrou determinação e agressividade, enquanto ''Barack Obama estava na defensiva.

"Quando Barack Obama admite por oito vezes seguidas que John McCain está certo, é um bom sinal para John McCain. Parecia até que Obama estava concorrendo a vice-presidente hoje à noite''.

O presidente do Partido Republicano, Mike Duncan, avaliou, em conversa com a BBC Brasil, que McCain conciliou conhecimento de causa e passionalidade.

''Ele mostrou que tem poder de avaliação e que também é alguém apaixonado, como quando falou do bracelete que usa (o presente da mãe de um soldado morto no Iraque) e ao deixar claro que se envolve com as pessoas e que odeia a guerra. McCain enfatizou que precisamos melhorar como país, que vivemos uma crise financeira que pode se espalhar pelo mundo'', disse Duncan.

Tratamento
Os dois candidatos também demonstraram contrastes em relação à maneira com que trataram um ao outro e se apresentaram no palco.

Obama se referiu ao republicano pelo primeiro nome em praticamente todos os momentos, tanto para dizer: ''Eu condordo com John'', como para apontar uma suposta inverdade dita pelo rival: ''Isso não é verdade, John''.

Já McCain só se referiu ao democrata como ''senador Obama'' e, diferentemente do rival, parecia evitar olhar o opositor nos olhos.

A despeito das várias críticas lançadas contra McCain, Obama dosou a agressividade em seus ataques e, por vezes, usou um tom até afável contra o rival.

O republicano foi bem mais seco e fez questão de contrastar o seu longo histórico no Congresso com a suposta inexperiência do rival.

''Eu estive envolvido (...) em praticamente todo grande desafio em termos de segurança que enfrentamos nos últimos 20 anos. Existem algumas vantagens em possuir experiência, conhecimento e poder de julgamento. E eu, honestamente, não acredito que o senador Obama tenha o conhecimento e experiência e cometeu uma série de erros em inúmeras áreas'', afirmou.

O próximo debate entre os dois candidatos será realizado na cidade de Nashville, no Estado do Tennessee, no próximo dia 7 de outubro.

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