César Muñoz Acebes Washington, 11 mai (EFE).- A campanha presidencial nos Estados Unidos entrou em uma nova fase, com a intensificação de ataques diretos entre o democrata Barack Obama e o republicano John McCain, enquanto Hillary Clinton resiste à pressão para desistir.

Tanto os partidários de Obama como os de McCain definem suas estratégias de guerra, pois os republicanos já admitem que o senador por Illinois será o rival a ser combatido, como confirmou hoje Joseph Lieberman, um ex-congressista democrata, agora independente e um importante simpatizante do senador pelo Arizona.

Obama repetiu hoje em entrevista na "CNN" uma frase que pode se transformar em uma espécie de slogan de sua campanha: "John McCain oferece essencialmente quatro anos a mais das mesmas políticas que nos levaram à situação na qual estamos agora".

O senador por Illinois explora com isto o descontentamento generalizado com o presidente George W. Bush, baseando-se em seus baixos índices de aprovação agravados pelas dificuldades econômicas pelas quais passa o país.

O partido de McCain também traça os pontos fracos de Obama. Mitt Romney, um ex-governador de Massachusetts e ex-rival de McCain que passou para o seu lado, afirmou que um líder do grupo radical Hamas "disse que apóia Barack Obama".

"É algo embaraçoso e a razão é bem clara. Barack Obama disse que caso seja eleito presidente se sentará com (o presidente iraniano, Mahmoud) Ahmadinejad", declarou Romney.

Acusações similares foram feitas pelo próprio McCain, que aproveitou o dia de hoje para tentar apresentar Obama como um político ingênuo e sem experiência em política externa.

Por outro lado, Hillary, fez uso do dia das mães para descansar.

Enviou em seu lugar alguns de seus principais assessores aos programas matutinos de entrevistas para representá-la.

Howard Wolfson, um de seus principais conselheiros dela, rejeitou a idéia de que as longas eleições primárias estejam debilitando o Partido Democrata.

"Se Barack Obama quer que Hillary Clinton abandone a campanha, deve vencê-la, ganhar na Virgínia Ocidental, em Porto Rico e no Kentucky", declarou Wolfson em entrevista à Fox.

Hillary tem vantagem nesses três estados, dos seis restantes.

O estilo combativo de Howard contrastou com o de David Axelrod, o principal estrategista de Obama, que no mesmo programa procurou pacificar a relação entre os dois.

"(Agora) os sentimentos estão inflamados. Eu acho que estes sentimentos serão curados com tempo. Mas, creio que teremos unidade no futuro", no momento das eleições gerais, defendeu.

O próprio Obama chamou hoje Hillary de "uma candidata extraordinária".

Os estilos refletem as prioridades das respectivas campanhas, já que Obama está interessado agora em conquistar os eleitores de Hillary para que a votação crucial em novembro não seja no 'reduto' dela.

Enquanto isto, os partidários da senadora lutam pela sobrevivência. Wolfson revelou que sua campanha tem uma dívida de aproximadamente US$ 20 milhões.

Hillary investiu em seus cofres eleitorais US$ 11 milhões até agora e está aberta à possibilidade de fornecer mais, disse à "NBC" o diretor de sua campanha, Terry McAuliffe, que reconheceu que é "muito improvável" que a senadora por Nova York obtenha mais delegados que Obama no final das primárias.

Seu plano para a vitória, segundo detalhou McAuliffe, é conseguir superar Obama em número de votos totais recebidos, ao contar com os emitidos na Flórida e em Michigan, que foram desqualificados inicialmente após os membros do Partido Democrata nos dois estados terem antecipado a realização de suas respectivas prévias.

Isto mostraria a força da candidatura da ex-primeira-dama aos superdelegados Hillary possui uma grande vantagem no número de partidários notáveis de um partido no qual seu marido, o ex-presidente Bill Clinton, tem um peso enorme.

Obama, no entanto, acaba de superá-la no número de superdelegados, afirma a maioria das prévias.

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