Obama e McCain atacam Wall Street e prometem socorrer americano comum

A atual crise financeira nos Estados Unidos voltou a dominar o debate entre os candidatos à presidência, com o democrata Barack Obama e o republicano John McCain defendendo uma saída da crise voltada para a classe média, e não para os poderosos de Wall Street.

AFP |

Obama e McCain concordaram que a solução da crise deve passar, prioritariamente, pela classe média, e não apenas pelo socorro a grandes instituições financeiras.

Ambos também criticaram a ganância em Wall Street e Obama lembrou os 400 mil dólares que a seguradora AIG gastou em férias de uma semana para seus executivos dias após receber o socorro de 85 bilhões de dólares do governo.

O candidato democrata afirmou que a origem da crise está na desregulamentação do mercado, algo defendido até pouco tempo pelo senador McCain, que reagiu lembrando que as empresas de refinanciamento hipotecário, Fanny Mae e Freddie Mac, estopim da crise, foram grandes contribuintes da campanha de Obama.

"Alguns de nós se ergueram contra" a farra em Wall Street "há alguns anos, pedindo mais regulamentação para os mercados, mas o senador Obama não estava nesta carta" enviada às autoridades.

Obama rebateu lembrando que McCain sempre foi contra a regulamentação dos mercados e lembrou que "há dois anos eu disse que tínhamos uma crise do subprime, escrevi para Ben Bernanke (presidente do Federal Reserve) e disse que precisávamos regulamentar" Wall Street.

O senador democrata destacou que a atual crise é apenas o início do processo: "Precisamos trabalhar com os corretores de imóveis para que as pessoas possam ficar em suas casas, e não só pensar em como salvar os bancos de Wall Street. Tenho confiança na economia americana, mas precisaremos de uma boa liderança em Washington, que não apenas promova mais controle. Vamos ter que ajudar as famílias comuns a pagar suas contas e mudar a cultura em Washington".

McCain propôs comprar os empréstimos imobiliários de famílias inadimplentes para evitar despejos: "Precisamos nos ocupar do mercado imobiliário e comprar suas dívidas duvidosas".

"É necessário estabilizar o valor das residências para que os americanos possam viver o sonho americano e permanecer em suas casas", destacou McCain.

Obama e McCain concordaram que um dos homens mais ricos do mundo, Warren Buffet, poderia ser um bom secretário do Tesouro, no lugar de Henry Paulson, que já manifestou seu desejo de abandonar o cargo quando George W. Bush deixar a Casa Branca.

"Acredito que deve ser alguém (como Buffet) com quem os americanos se identifiquem. Que possam dizer de imediato que confiam neste indivíduo", destacou McCain, que citou ainda a ex-presidente do eBay, Meg Whitman.

"Gosto de Meg Whitman, ela sabe como criar empregos", destacou o senador republicano.

Obama estimou que "Warren é, de fato, uma excelente opção" e destacou que "está orgulhoso por receber seu apoio".

Warren Buffet, de 78 anos - o "oráculo de Omaha" -, dono de uma fortuna de 62 bilhões de dólares, declarou apoio ao senador democrata.

Sobre as prioridades, McCain revelou que vai concentrar seus esforços no primeiro ano de governo em saúde, energia e reforma da previdência social, qualificando as três questões de interesses de "segurança nacional".

Já Obama prometeu priorizar, como uma família faz, a energia: "temos que priorizar isso porque pesa na economia familiar e é uma questão de segurança nacional". Países como "Rússia e Irã estão se beneficiando dessa dependência energética" dos EUA. "Saúde e educação também são prioritárias", como a "revisão do orçamento e das políticas fiscais".

McCain revelou que vai "eliminar várias agências" do governo que "não funcionam" e destacou que "é preciso economizar (...) cortar gastos, exceto na previdência para os veteranos...".

Obama rebateu dizendo que "é difícil pedir a um professor que ganha 35 mil dólares por ano para que aperte os cintos enquanto pessoas que ganham muito mais dinheiro estão por aí esbanjando". "Quero usar um bisturi para fazer um corte preciso, para levar alívio a quem realmente precisa".

O senador democrata prometeu reduzir impostos para 95% dos americanos: "Se você ganha até 250 mil dólares por ano, seus impostos vão cair".

afp/ap/LR

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