Obama é maior vitorioso com a morte de Bin Laden

Chances de presidente americano se reeleger em 2012 crescem após a morte do número 1 da Al-Qaeda

Marsílea Gombata, iG São Paulo |

Vitória para os Estados Unidos, derrota do terrorismo, vingança das vítimas do 11 de Setembro. Seja qual for o saldo da morte de Osama bin Laden, quem mais sai ganhando com o fim do número 1 da Al-Qaeda é o presidente americano, Barack Obama, cujos índices de aprovação vinham oscilando em meio a uma economia em crise da qual os EUA ainda tentam se recuperar.

Segundo especialistas ouvidos pelo iG , a morte de Bin Laden mostra-se uma enorme vantagem para Obama na questão de segurança nacional, no momento em que o presidente inicia sua campanha para a reeleição. “No imaginário, fica como se Obama tivesse alcançado algo bom, que George W. Bush (2001-2009) foi incapaz. Trata-se de uma tremenda vitória política e uma vantagem considerável quando se trata do segundo mandato que busca em 2012”, observou Kirk Buckman, especialista em relações internacionais da Universidade de New Hampshire.

Se a morte de Bin Laden não chega a ser suficiente para garantir a reeleição de Obama, avaliou o especialista, ao menos mudou parte da percepção dos eleitores para 2012. “Ao lado da economia, segurança é um assunto que ainda assombra o eleitorado americano", frisou Buckman.

Democratas

Juntamente com Obama, saem vencedores também todos os membros do Partido Democrata. Os republicanos têm uma reputação de longa data de serem mais fortes do que os democratas em questões de segurança nacional, mas com a operação que matou Bin Laden bem-sucedida, Obama pode clamar esse trunfo para si e seu partido. “Na política americana, os democratas são vistos como fracos no setor de segurança nacional. A morte fortalece os correligionários do presidente e o coloca em uma posição de muito mais força”, avaliou o especialista em terrorismo Zachary Abuza.

Além disso, a morte do islamita saudita congratula os esforços de Obama, que durante a campanha presidencial de 2008 prometeu trazer para casa as tropas americanas que estão no Iraque, ao mesmo tempo em que aumentaria os esforços militares no Afeganistão e na busca pelo número 1 da Al-Qaeda.

A queda do líder da organização terrorista leva a questionamentos sobre o futuro do conflito no Afeganistão, o papel do Taleban no país e o poder de retaliação de membros da Al-Qaeda contra os EUA após a morte do mentor da organização. “Em termos de retaliação, hoje a Al-Qaeda é uma organização mais fraca do que anos atrás. Mais importante são seus braços armados, como a Al-Qaeda da Península Arábica, baseada no Iêmen. São grupos que não necessariamente obedecem a um líder da organização. Eles certamente tentarão vingança, mas é difícil saber se terão sucesso”, disse Abuza.

Para Buckman, a morte de Bin Laden aumenta ainda mais as chances de diálogo entre o Taleban e o atual governo afegão, que tem os EUA como aliados.

Longo caminho

Com esperança que seus índices de popularidade aumentem depois da morte do líder da Al-Qaeda - embalada pelo sentimento patriótico que tomou conta de americanos comemorando em Washington D.C. e Nova York - Obama deve apostar que o ‘feito’ se sobreponha a problemas, como a recuperação econômica. Pelo menos a curto prazo.

“Se Obama será reeleito ainda é um grande mistério. A economia e a própria guerra do Afeganistão continuam sendo pontos problemáticos de sua administração. É difícil falar sobre o período que vai de agora até as eleições, pois há outros fatores que devem pesar em sua reeleição”, disse Azzedine Layachi, cientista político da St. John’s University, sobre imigração, impostos e reforma da saúde, pontos de conflito entre republicanos e democratas.

Para o especialista, a situação atual lembra muito a do 43º presidente americano, George H.W. Bush (1989-1993), cuja popularidade cresceu após a Guerra do Golfo (1990-1991), mas caiu devido à recessão econômica. “Os americanos tiveram de olhar o aspecto econômico de seu governo e ele acabou privado de um segundo mandato”, relembrou. “Nunca sabemos o que vai acontecer no próximo ano”.

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