Obama e Lula buscarão afinidade pessoal em encontro deste sábado

César Muñoz Acebes. Washington, 13 mar (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e seu colega brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, se encontrarão amanhã pela primeira vez, no Salão Oval da Casa Branca, onde tentarão começar com bom pé uma relação que prometem estreitar.

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Energia, mudança climática e a crise econômica serão os temas que dominarão a conversa entre ambos os chefes de Estado, informou a Casa Branca.

Lula será o primeiro presidente latino-americano a ser recebido por Obama na Casa Branca, já que Felipe Calderón, do México, se reuniu com o democrata dias antes de sua posse.

Mais que buscar acordos específicos, os dois chefes de Estado tentarão estabelecer uma afinidade que facilite a relação entre Brasil e Estados Unidos, opinam os analistas.

"Acho ótimo que se conheçam desde o princípio, nos primeiros 50 dias de Obama no cargo", disse à Agência Efe Carla Hills, que foi representante de Comércio Exterior dos EUA durante o Governo Bush.

"Os interesses comuns são enormes. Os dois países sofrem com a crise econômica e não podem se isolar do resto do mundo. Podemos falar abertamente a respeito do que podemos fazer para fomentar o progresso em nível global e sobre o que, particularente, nos beneficiará", destacou Hills.

O multilateralismo abraçado por Obama é algo que o aproxima de Lula, que tentou tirar o Brasil de seu tradicional retraimento e colocá-lo no centro dos debates internacionais.

Os EUA colaboraram com o Brasil principalmente na promoção do etanol e na luta contra a malária e a aids na África.

Esse vínculo "é um reconhecimento do emergir do Brasil no mundo e achamos que estamos num ponto no qual será possível tornar realidade todo o potencial dessa relação nos próximos meses e anos", disse hoje em entrevista coletiva Thomas Shannon, o secretário de Estado adjunto para a América Latina.

Embora ambas as nações tenham interesses muito parecidos, entre elas também há alguns pontos menores de tensão.

Um deles é o comércio. O Brasil protestou abertamente contra a cláusula "Buy American" ("Compre - produtos - Americanos") do pacote de estímulo econômico dos EUA, que privilegia a indústria nacional.

Depois que os principais parceiros comerciais do país reclamaram, o artigo foi modificado e agora especifica que o Governo respeitará o tempo todo as obrigações contraídas nos tratados comerciais internacionais.

Outro tema delicado é a tarifa de US$ 0,54 por galão (3,8 litros) com a qual os EUA taxam o etanol exportado pelo Brasil para proteger os produtores americanos.

O Governo brasileiro, cujo etanol de cana-de-açúcar é mais barato que o produzido a partir de milho nas destilarias americanas, já pediu várias vezes à Casa Branca que essa barreira alfandegária seja eliminada.

Além disso, um caso familiar surgiu nas relações entre ambos os países. O protagonista dele é Sean Goldman, cuja mãe, Bruna Carneiro Ribeiro, o trouxe para o Brasil há quatro anos, sem nunca mais voltar para os EUA.

Hoje, o pai do menino, David Goldman, luta para recuperar a guarda da criança, que encontra-se com o segundo marido de Bruna, morta há seis meses enquanto dava à luz uma menina.

O polêmico caso chegou ao conhecimento de Obama, disse Shannon. E a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, telefonou ontem para Goldman, que está no Rio de Janeiro, para destacar "a importância que o caso" tem para os EUA, acrescentou o secretário de Estado adjunto.

A previsão é de que o temaseja abordado no encontro deste sábado entre Lula e Obama.

Shannon já afirmou que "Sean Goldman deve voltar com seu pai": "O Governo do Brasil acha o mesmo e já o disse publicamente".

Um tratado ratificado entre os dois países obriga o retorno de Sean aos EUA, onde as tribunais deverão decidir quem terá a guarda da criança. Porém, o Governo brasileiro não quis se envolver no caso.

"É um assunto que está na Justiça, que é do direito da família", declarou há algumas semanas em Washington o chanceler Celso Amorim, após uma reunião com Hillary sobre o encontro de amanhã entre os presidentes.

Ambos os Governos, no entanto, acham que essas diferenças não amargarão uma relação que promete se desenvolver ainda mais. EFE cma/sc

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