Obama e Hillary se aproximam, mas casal Clinton segue sem função em campanha

Macarena Vidal Washington, 29 jun (EFE).- O provável candidato democrata à Presidência dos Estados Unidos, Barack Obama, e sua ex-adversária na disputa pela indicação do partido, a senadora Hillary Clinton, uniram forças para conseguir a vitória da legenda nas eleições de novembro, embora ainda não tenham resolvido qual será o papel dos Clinton na campanha eleitoral.

EFE |

Na semana passada, Obama e Hillary se esforçaram para mostrar que a rivalidade entre ambos nas primárias ficou para trás, mensagem que hoje foi repetida por colegas de partido nos programas políticos de domingo de TV americana.

"Não poderíamos pedir mais unidade", afirmou o presidente da campanha eleitoral de Hillary, Terry McAuliffe, no programa "Late Edition", da "CNN".

Na sexta-feira, os ex-rivais se derreteram em elogios em seu primeiro comício conjunto, realizado na simbólica cidade de Unity ("Unidade"), em New Hampshire.

Em outra prova de aproximação, na noite de quinta, em uma reunião com doadores de campanha de Hillary, Obama se comprometeu a ajudar a pagar as dívidas de seu ex-oponente.

Mas ambos ainda encaram situações espinhosas, como, por exemplo, qual papel a senadora por Nova York desempenhará na campanha de Obama, na convenção democrata de Denver, no fim de agosto, ou em um possível futuro Governo do senador negro.

Uma dúvida ainda maior é a função que o ex-presidente Bill Clinton terá durante o processo eleitoral, já que ele se mostrou muito menos entusiasmado que sua mulher na hora de abraçar a causa de Obama.

Até o momento, o marido de Hillary, que ainda é muito popular no Partido Democrata, se limitou a expressar seu apoio ao candidato por meio de um porta-voz, ocasião em que pediu que dissessem que está "comprometido a fazer o que puder e o que lhe pedirem para garantir que Obama seja o próximo presidente dos Estados Unidos".

Tal atitude fez o ex-presidente, que não esteve presente nem no ato com os doadores em Washington nem no comício em Unity, parecer ressentido com a vitória de Obama nas primárias democratas.

McAuliffe, amigo íntimo dos Clinton, minimizou essas considerações e assegurou hoje à "CNN" que o ex-presidente está disposto a fazer tudo para ajudar o senador por Illinois.

Obama e Bill Clinton, que acabou de chegar de uma viagem pela Europa, conversarão muito em breve, disse o presidente da campanha eleitoral de Hillary.

"Agora que (o ex-presidente) voltou, acho que, em 24 ou 48 horas, os dois manterão uma conversa" e Bill Clinton mergulhará de cabeça na campanha democrata, afirmou McAuliffe.

Se até agora o marido de Hillary ainda não fez isso, foi para que a senadora por Nova York ficasse em primeiro plano.

"Ela é a líder política da família", disse o representante da campanha da ex-primeira-dama.

Em declarações à "Fox News", o governador da Pensilvânia, Ed Rendell, outro firme partidário de Hillary nas primárias, se pronunciou no mesmo sentido.

"O presidente Clinton vai fazer cada coisa que Barack Obama lhe pedir. Ele está decepcionado, como eu, mas sabe que muita coisa está em jogo neste país. Ele virá a público, como é típico em Bill Clinton, e, de forma excelente, defenderá que Obama deve ser nosso próximo presidente", disse Rendell.

Por enquanto, Obama e Hillary conversam sobre o que pode acontecer nos próximos meses. Antes do comício em Unity, se recolheram para uma conversar em particular.

As campanhas de ambos começaram a se integrar pouco a pouco.

Obama já incorporou alguns funcionários de peso da campanha da senadora democrata, como a diretora política Neera Tanden.

Os Obama também doaram dinheiro à campanha de Clinton - US$ 2.300 cada um, o máximo permitido pela lei americana -, para custear as dívidas de Hillary.

Até o momento, a estratégia parece estar dando resultado. Segundo as pesquisas, mais da metade dos eleitores da ex-primeira-dama votariam em Obama se as eleições fossem hoje, proporção que em abril era bem menor, de 40%.

No entanto, 23% dos eleitores de Hillary preferem o republicano John McCain ao senador negro, o que mostra que o apoio a Obama poderá depender muito do papel que o candidato dará aos Clinton na campanha. EFE mv/sc

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