Obama e Hillary prometem ser duros com China se eleitos

Por John Whitesides e Caren Bohan PITTSBURGH, Estados Unidos (Reuters) - Os pré-candidatos do Partido Democrata à Presidência dos EUA, Barack Obama e Hillary Clinton, tentaram conquistar votos do operariado da Pensilvânia na segunda-feira com promessas de combater as políticas comerciais e cambiais da China que, segundo os dois, prejudicam as empresas norte-americanas.

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Comparecendo em momentos diferentes a um fórum do setor industrial, os dois pré-candidatos afirmaram que o presidente George W. Bush observou passivamente enquanto a China tirava vantagem de práticas comerciais injustas.

Obama, senador pelo Estado de Illinois, disse que, caso eleito, ameaçaria limitar o acesso dos chineses ao mercado norte-americano como instrumento de barganha a fim de obrigar o país asiático a deixar de manipular o seu câmbio.

'Precisamos melhorar nossa atuação como negociadores e dizer: 'Prestem atenção, esse é o limite: se vocês continuarem manipulando sua moeda, nós vamos começar a impedir sua entrada em alguns dos nossos mercados'', afirmou Obama no fórum da Aliança para a Indústria Americana, realizado em Pittsburgh.

Hillary propôs adotar uma série de medidas para fortalecer os órgãos de fiscalização dos EUA e combater as políticas chinesas que aumentavam, segundo a pré-candidata, o déficit comercial.

'Quando eles infringirem as leis do comércio, deveriam responder por isso', disse Hillary, senadora pelo Estado de Nova York. 'Nós fizemos muitas coisas nos últimos sete anos para favorecer a China às nossas custas.'

Obama e Hillary concorrem pela vaga do Partido Democrata nas eleições presidenciais de novembro, das quais deve participar também John McCain, candidato do Partido Republicano.

De olho nas prévias de 22 de abril, no Estado da Pensilvânia, os dois democratas passaram a dar maior destaque aos planos voltados para proteger as vagas de trabalho existentes nos EUA. Esse Estado viu-se especialmente atingido pelo corte de mão-de-obra.

OBAMA: BUSH É 'UM TONTO'

Os dois democratas afirmaram à multidão de metalúrgicos e de membros de outros setores industriais que Bush havia fracassado quando se tratava de proteger os postos de trabalho nos EUA.

Segundo Obama, Bush, cujo governo se opôs às tentativas realizadas pelo Congresso dos EUA de aprovar leis para obrigar a China a revalorizar sua moeda, é um 'tonto' que se limita a apenas falar grosso nas negociações sobre o comércio.

'Os EUA e o mundo podem se beneficiar do comércio com a China. Mas as trocas comerciais com a China só serão boas para os outros se a China obedecer às regras do jogo e agir como uma força positiva para um crescimento mundial equilibrado', disse Obama, que foi mais aplaudido pelos operários do que Hillary.

A senadora afirmou que usaria com agressividade os mecanismos da Organização Mundial do Comércio (OMC) para desafiar as práticas comerciais injustas, que adotaria medidas para combater a pirataria e que mobilizaria recursos para ajudar empresas norte-americanas prejudicadas pela invasão dos produtos chineses.

'Não podemos depender dos caprichos do governo Bush para proteger a indústria norte-americana', disse.

'É por isso que defendo uma mudança nas leis para enviar à China e a outras economias alheias ao livre mercado uma mensagem simples: se vocês subsidiarem suas exportações e prejudicarem nossa economia, pagarão o preço', afirmou.

(Reportagem adicional de Caren Bohan e Paul Eckert)

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