Obama e Hillary preparam as armas para prévias de Indiana e Carolina do Norte

Macarena Vidal Washington, 4 mai (EFE).- Os pré-candidatos democratas à Casa Branca Barack Obama e Hillary Clinton voltaram a se envolver hoje em disputas sobre economia e política externa, 48 horas antes das prévias de Indiana e Carolina do Norte, cruciais para a definição da candidatura do partido à Presidência dos Estados Unidos.

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Os dois pré-candidatos, que hoje participam de diferentes comícios em Indiana - o mais disputado dos dois Estados em jogo nesta terça-feira-, discursaram em programas televisivos de entrevistas, nos quais quiseram deixar claro suas diferenças.

Obama, encorajado por seu triunfo por apenas sete votos nas acirradas eleições da ilha de Guam, no último sábado, tentou deixar para trás a controvérsia criada por seu antigo pastor, o reverendo Jeremiah Wrigth - que causou problemas nas pesquisas -, e recuperar a iniciativa para atrair a classe trabalhadora branca do estado.

Este segmento demográfico é considerado peça-chave no pleito de terça-feira, e tende significativamente a favor de sua rival, Hillary Clinton.

As pesquisas indicam que Obama conta com uma vantagem de aproximadamente sete pontos percentuais na Carolina do Norte. O senador, no entanto, vê Hillary se aproximar perigosamente, diminuindo a cada dia uma diferença que até pouco tempo era superior a 15 pontos.

Em Indiana, as pesquisas apontam para um empate técnico entre ambos, mas com uma ligeira diferença a favor da senadora por Nova York.

Atualmente, Obama está em vantagem em relação à Hillary quanto ao número de delegados comprometidos, superando 1.700, enquanto sua rival tem aproximadamente 1.600.

Nenhum dos dois pode atingir os 2.025 delegados necessários para obter a candidatura democrata na convenção de agosto, em Denver, somente com os obtidos nas primárias. Desta forma, serão os "superdelegados" - funcionários e membros do partido- que terão a última palavra no processo de indicação democrata.

Caso Obama consiga ganhar nos dois Estados, é provável que arraste consigo um bom número de superdelegados e garanta definitivamente sua candidatura.

No entanto, caso Hillary surpreenda e ganhe as duas disputas, poderia fazer com que os superdelegados cogitem as chances da senadora para as eleições presidenciais de novembro.

Caso ambos consigam cada um uma vitória, a corrida continuaria como está e duraria, provavelmente, até o dia 3 de junho, para quando estão previstas as últimas prévias.

Conscientes do que está em jogo, os dois senadores, que amanhã farão campanha na Carolina do Norte, redobraram o ritmo de seus comparecimentos públicos.

Em entrevista concedida ao programa "Meet the Press", da cadeia "NBC", o senador por Illinois declarou ser contra as propostas de Hillary para eliminar temporariamente os impostos sobre a gasolina para o meio do ano, e "aniquilar" o Irã caso o país ataque Israel com armas nucleares.

"Não é a linguagem de que necessitamos atualmente, e acho que isso reflete o que diz George W. Bush", afirmou Obama.

A este respeito, Hillary, em declarações ao programa "This Week", da cadeia "ABC", afirmou que mantém suas palavras.

"Por que teria que retirá-las? Perguntaram-me o que faria se o Irã atacasse nosso aliado, um país com o qual temos muitas ligações e carinho, por todo tipo de razões. Sim, responderíamos ao Irã de maneira muito contundente", declarou.

A senadora por Nova York defendeu também sua proposta de eliminar os impostos sobre a gasolina para aliviar os consumidores nas épocas de maior demanda, um projeto que também é apoiado pelo candidato republicano, John McCain.

Obama qualificou a iniciativa como uma "artimanha", pensada "para ganhar eleições ao invés de resolver problemas".

Hillary assegurou que sua proposta é muito diferente da de McCain, que simplesmente propõe a suspensão do imposto. Ela especificou que seu projeto prevê que as petrolíferas paguem o que o Estado deixaria de receber pela suspensão.

Por sua parte, Obama quis deixar para trás a polêmica sobre o reverendo Wright, que acusou o Governo dos EUA de espalhar propositalmente o vírus da aids para prejudicar os negros.

Segundo Obama, as declarações de Wright "dividem o país", mas ele é "alguém que nasceu de uma mãe branca e de um pai africano".

"Está no meu DNA acreditar que nós podemos unir esse país, e que as pessoas são as mesmas por debaixo da pele", afirmou. EFE mv/bm/gs

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