Obama e Hillary disputam voto de militares dos EUA

Por Andrew Gray FAYETTEVILLE, EUA (Reuters) - Com promessas de um aparato militar mais forte e mais benefícios para os veteranos, os pré-candidatos democratas à Presidência dos EUA, Hillary Clinton e Barack Obama, passaram a disputar o apoio de uma cidade dominada pela 82a Divisão Aerotransportada.

Reuters |

Com sua imensa base em Fort Bragg, a cidade de Fayetteville, na Carolina do Norte -- cidade cujo mote é 'História, Heróis e um Sentimento de Estar em Casa' --, volta-se na próxima semana para as prévias democratas que ocorrem naquele Estado.

Mas Obama e Hillary, disputando palmo a palmo a vaga do partido nas eleições presidenciais de novembro, também esperam conquistar espaço entre os militares do restante do país, tradicionalmente um eleitorado mais propenso a votar nos republicanos.

Além da impopularidade da guerra no Iraque, analistas afirmam que pode ser difícil bater nesse quesito o candidato republicano, senador John McCain, um ex-piloto da Marinha e ex-prisioneiro de guerra no Vietnã.

Os democratas apostam em reiterados eventos de campanha a fim de conquistar o voto de alguns membros das Forças Armadas e suas famílias. Obama e Hillary são defensores da retirada das forças norte-americanas do Iraque.

'Eles estão cansados da presença militar lá. Agora chegou a hora de voltar', disse Rebecca Rebrook, coordenadora voluntária da representação em Fayetteville de Hillary, onde um cartaz feito a mão afirmava, a respeito da pré-candidata: 'Você é a minha comandante-em-chefe.'

Rebrook, cujo marido serviu no Exército durante 20 anos, disse que Hillary beneficia-se do apoio de ex-membros importantes das Forças Armadas, como o general aposentado do Exército Hugh Shelton, nascido na Carolina do Norte e ex-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas.

'Esse é um ponto muito positivo para ela', afirmou Rebrook.

'É PRECISO HAVER MUDANÇAS'

A pré-candidata, senadora pelo Estado de Nova York, apareceu ao lado de Shelton na semana passada em Fayetteville, lar do Comando das Operações Especiais do Exército bem como da famosa 82a Divisão Aerotransportada, cujos membros vêm sendo mandados para servir no Iraque e no Afeganistão.

O marido de Hillary, ex-presidente Bill Clinton, realizou um comício nesta semana em Hope Mills, uma cidade próxima.

Um homem vestido com um uniforme de capitão do Exército e presente no evento de Bill Clinton disse que havia chances de os soldados votarem nos democratas neste ano porque estão desiludidos com o Iraque, onde 4.056 militares dos EUA morreram desde o começo da guerra, em março de 2003.

'Os militares estão esgotados, cansados', afirmou o oficial, 38 anos, que não quis ter sua identidade revelada já que os membros das Forças Armadas não têm permissão de manifestar opiniões políticas em público. 'É preciso haver mudanças.'

Há mais de 1,3 milhão de membros das Forças Armadas dos EUA em serviço e outros 1,1 milhão na reserva.

Ao tentar angariar votos nesse eleitorado, Hillary e Obama oferecem propostas semelhantes.

Os dois desejam retirar os soldados do Iraque e prometeram melhorar o atendimento médico aos veteranos. Ambos os democratas defendem ainda aumentar as forças de infantaria dos EUA, um processo já iniciado pelo atual governo.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG