Obama e Hillary disputam os importantes votos porto-riquenhos

Jorge J. Muñiz Ortiz San Juan, 24 mai (EFE).

EFE |

- Os porto-riquenhos não poderão votar para presidente dos Estados Unidos nas eleições de novembro, mas têm um papel determinante na designação do candidato democrata nas primárias de 1º de junho.

Na busca desse importante voto dos democratas porto-riquenhos, Barack Obama passeou hoje pelas ruas da velha San Juan, falou diante de um grupo de veteranos e se reuniu com o governador Aníbal Acevedo Vilá e os líderes dos dois principais partidos.

Já Hillary Clinton chega a San Juan no final da noite deste sábado com a intenção de explicar em discurso intitulado "Soluções para Porto Rico" quais são suas propostas em matéria de saúde e de criação de empregos.

A papel de destaque que Porto Rico conseguiu no atual processo eleitoral deste ano está ligado ao fato de ter adquirido uma importância inédita na escolha do candidato democrata, embora os porto-riquenhos não tenham o direito a voto no pleito presidencial de novembro.

Porto Rico, que depende dos EUA desde 1898, possui um "status colonial" que se mantém inváriavel desde que o Congresso dos EUA permitiu, em 1952, a concretização da Constituição do Estado Livre Associado (ELA), que limita a autonomia da ilha em certos assuntos como defesa, relações exteriores, justiça ou imigração, entre outros.

Já o Partido Democrata considera que Porto Rico é um Estado propício a escolher os candidatos à Casa Branca e conta com uma representação proporcional a sua população, de aproximadamente quatro milhões de habitantes.

Segundo o presidente do Partido Democrata dos EUA em Porto Rico, Roberto Prats, este ano os delegados democratas porto-riquenhos serão mais decisivos do que nunca, já que a formação política alcançou 10% do número e evitou, com isso, que as primárias fossem antecipadas.

Obama e Hillary - antes que na terça-feira, em 3 de junho, termine o processo das primárias com as votações em Dakota do Sul e Montana - chegam perto da casa dos 60 delegados, além de outros sete "superdelegados" porto-riquenhos.

O senador por Illinois dispõe de 1.969 delegados e necessita de um mínimo de 2.025 para obter a candidatura presidencial democrata, enquanto Hillary, com 1.779 delegados, tenta conseguir respaldo suficiente para manter a campanha.

Com as pesquisas a favor de Hillary em Porto Rico, Barack Obama aproveitou hoje seu primeiro ato de campanha para criticar as guerras no Iraque e no Afeganistão, porque, segundo ele, estão baseadas mais em ideologia do que em uma ameaça real.

Seu primeiro ato foi diante de um grupo de veteranos no campus de Bayamón da "Universidade de Porto Rico", já que segunda-feira é o dia dedicado a homenagear os mortos em guerras pelos EUA.

Obama destacou que já "é hora" de terminar com conflitos bélicos no Iraque e no Afeganistão, porque os EUA "precisam combater o que deve ser combatido, mas não vociferando nem intimidando, e sim com diplomacia firme e alianças sólidas".

"Honrar nossos homens e mulheres exige muito (...) e a liderança civil deve servir a nossas tropas da mesma forma como elas nos servem", falou.

Afirmou que é injusto enviar tropas "para lutar em uma guerra baseada mais em ideologia e política do que em uma ameaça urgente à nação".

O aspirante democrata aproveitou seu discurso diante dos veteranos para prometer que, caso chegue à Casa Branca, atenderá especialmente as necessidades dos soldados que retornam ao país.

Obama se comprometeu, concretamente, a melhorar os serviços do Hospital de Veteranos de Porto Rico em San Juan para que os reclusos "sejam tratados com respeito e dignidade".

Hillary deve chegar hoje a San Juan para pronunciar um discurso centrado em propostas "para melhorar a qualidade de vida das famílias porto-riquenhas".

Segundo um porta-voz da campanha de Hillary, a senadora irá se comprometer a disponibilizar para os porto-riquenhos o "acesso ao mesmo plano de saúde universal que existe nos EUA".

Também irá propor o aumento aos incentivos de redução de impostos contributivos para promover a criação de empregos em Porto Rico. EFE jm/fh/fb

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