Obama e europeus tentam aparar arestas em encontro do G20

Uma das várias missões do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, durante a reunião do G20, nesta quinta-feira, em Londres, será a de dar mostras de coesão entre os americanos e seus aliados europeus. Nas últimas semanas, Estados Unidos e alguns dos países de maior peso na União Europeia vêm expressando divergências em relação às medidas necessárias para conter a crise econômica.

BBC Brasil |

Os americanos vêm clamando pela adoção de mais pacotes de estímulo econômico, posição que conta com o apoio do primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, e do líder do Japão, o premiê Taro Aso.

Mas tanto a Alemanha, da chanceler Angela Merkel, como a França, do presidente Nicolas Sarkozy, são contra a proposta americana.

Eles defendem que o caminho para prevenir novas crises seria o de criar um órgão internacional de controle de grandes instituições financeiras, algo a que os americanos se opõem.

Linguagem forte

Para Johannes Linn, analista do Brookings Institution, alguns líderes europeus chegaram até mesmo a utilizar uma "linguagem carregada", que ele julga similar à do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quando este afirmou que a crise foi causada por "brancos de olhos azuis".

"Este tipo de linguagem também foi usada por europeus, como o primeiro-ministro checo (Mirek Topolanek, que disse que o plano de estímulo econômico de Obama representava uma 'estrada para o inferno') e Sarkozy, que ameaçou se retirar da conferência se suas reivindicações não forem atendidas."

Na visão de Linn, "todos deveriam atenuar sua retórica", porque o tom agressivo não é favorável às negociações e passa a impressão equivocada de que as divergências são mais profundas do que na realidade.

"As diferenças em relação a possíveis estímulos econômicos talvez não sejam tão grandes, especialmente levando em conta isenções fiscais, ampliação de investimentos e aplicação de seguro-desemprego. São ações que europeus e americanos já tomaram e nas quais não estão assim tão distantes", afirma.

Divergências

As maiores diferenças, acrescenta, "residem na desigualdade entre os países de superávit - como China, Alemanha e Japão - e os países deficitários - como Estados Unidos e Grã-Bretanha".

"Para sanar esse vão, é preciso mais do que a implantação de pacotes de estímulo econômico, mas sim amplos ajustes por todas as partes", diz.

O analista também vê descompasso entre uma das prováveis conclusões do encontro do G20: uma injeção de recursos em instituições internacionais, como o Fundo Monetário Internacional, que poderá contar com investimentos de até US$ 500 bilhões.

Estados Unidos e europeus vêm solicitando contribuições de todas as nações, inclusive os países emergentes, mas estes, liderados pela China, condicionam a aplicação de recursos no FMI à obtenção de uma voz mais ativa dentro do órgão.

"Este é um foco de tensão, porque esta maior participação dos emergentes não será obtida rapidamente. É um processo que ainda deverá tardar de ano e meio a dois anos", afirma.

Na opinião do analista, o comunicado final do G20 não será conclusivo, mas deverá buscar um consenso por parte dos diferentes países em áreas que julga cruciais para combater a ampliação da turbulência financeira.

"É preciso um compromisso de que os pacotes de estímulo tenham um tempo de vida de até dois anos, que haja considerável reforma na regulação do sistema financeiro e que se imponha um limite à adoção de medidas protecionistas. Se, nos próximos meses, houver retrocesso nessas áreas, o G20 perderá sua credibilidade e a economia mundial terá sérios problemas".

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