Port of Spain, 17 abr (EFE).- A presença do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e a ausência de Cuba, que conta com o apoio de muitos países para voltar à Organização dos Estados Americanos (OEA) e que Washington suspenda o embargo, concentram as atenções da 5ª Cúpula das Américas, que começa hoje.

Em sua primeira cúpula continental, Obama terá a oportunidade de responder a um constante pedido da América Latina a Washington há muito tempo: a suspensão do embargo a Havana.

Obama discursará na inauguração, prevista para as 18h de Brasília e que será aberta pela presidente argentina, Cristina Fernández de Kirchner, pelo fato de a Argentina ter sido anfitriã da cúpula anterior, em novembro de 2005, em Mar del Plata.

O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, falará em seguida como representante dos países centro-americanos e deve se referir a Cuba, cujas reivindicações aos EUA conseguiram total apoio na reunião da Alternativa Bolivariana para as Américas (Alba), que terminou hoje na Venezuela.

O ministro do Comércio e Indústria de Trinidad e Tobago, Mariano Browne, disse hoje que os presidentes não terão oportunidade de falar oficialmente sobre o assunto de Cuba até domingo, porque não está previsto que seja incluído nas sessões plenárias de sábado.

Browne quis destacar que Cuba, que foi expulsa da OEA em 1962, não monopolizará a cúpula e que há muitos mais assuntos que preocupam toda a região.

"Mas é a vontade da maioria dos países da América Latina que colocou Cuba no centro da agenda. Obama não tem opção e deve atender a esta reivindicação histórica", disse à Agência Efe Manuel Pérez Rocha, professor do Instituto de Estudos Políticos de Washington.

"Sua capacidade de resposta diante da demanda de acabar com o bloqueio a Cuba determinará o sucesso ou o fracasso da cúpula", acrescentou Pérez Rocha.

As reuniões previstas de Obama serão por grupos regionais, e começarão hoje mesmo, depois da inauguração formal, com uma sessão com os países da Comunidade do Caribe (Caricom) e prosseguirá no sábado com os 12 países integrantes da União de Nações Sul-Americanas (Unasul).

Obama se reunirá também com os países centro-americanos e os andinos sem que, a princípio, tenha previsto reuniões bilaterais, embora já tenha se encontrado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com o chefe de Estado mexicano, Felipe Calderón.

As três sessões formais de debates da cúpula de Port of Spain se concentrarão na prosperidade humana, na segurança energética e na governabilidade.

As respostas à crise econômica global para minimizar seu impacto na América Latina será o outro grande tema, além de como combater o narcotráfico e o problema dos imigrantes ilegais, mexicanos e centro-americanos, na maioria, nos Estados Unidos. EFE esc/an

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.