Obama e chefe da CIA superam diferenças sobre memorando

Por Randall Mikkelsen WASHINGTON (Reuters) - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e o diretor da CIA, Leon Panetta, superaram na segunda-feira as diferenças surgidas por causa da divulgação de documentos sigilosos sobre a prática da simulação de afogamento, embora o ex-vice-presidente Dick Cheney tenha insistido em manter a polêmica acesa.

Reuters |

Obama visitou a sede da CIA e disse a funcionários da agência que eles serão essenciais na luta contra a Al Qaeda e de forma mais geral nos novos rumos da política externa norte-americana.

"Vivemos em tempos perigosos. Vou precisar de vocês mais do que nunca", disse Obama, que aconselhou os funcionários a não se abaterem com a discussão da opinião pública a respeito de "erros" cometidos.

Logo depois da visita, Cheney disse ter pedido à CIA que divulgue documentos que comprovem o "sucesso" das técnicas agressivas de interrogatórios autorizadas durante o governo de George W. Bush, e amplamente criticadas.

A visita de Obama foi uma tentativa de melhorar o moral da CIA depois da divulgação pela Casa Branca, na semana passada, de memorandos da era Bush que detalhavam o programa de interrogatórios.

"Sei que os últimos dias têm sido difíceis", afirmou Obama, que foi recebido com entusiasmados aplausos por cerca de mil funcionários.

Panetta disse que Obama conta com o apoio e lealdade da CIA.

Obama disse que os memorandos foram divulgados porque se tornaram pivô de uma onerosa disputa judicial, e que sua natureza sigilosa já havia sido comprometida.

Panetta prometeu respeitar a proibição das técnicas agressivas, decretada em janeiro por Obama. O diretor da CIA era contra a divulgação dos memorandos, alegando que isso poderia expor os agentes da agência a vinganças.

Cheney disse ao canal Fox News que achou perturbador o fato de Obama não ter divulgado memorandos que, segundo o vice de Bush, comprovavam a eficácia dos interrogatórios --algo contestado por diversos especialistas.

A CIA não quis comentar as declarações de Cheney.

O senador republicano Kit Bond, vice-presidente da Comissão de Inteligência do Senado, disse que a divulgação mostrou aos funcionários da CIA que "nosso governo não está ao lado de vocês".

Obama prometeu na segunda-feira aos funcionários que será "vigoroso" ao defendê-los. Na semana passada, o presidente já havia dito que funcionários que cometeram eventuais abusos confiando nas orientações do governo Bush não deveriam ser punidos.

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