Obama e Bush trabalham para apresentar a americanos imagem de transição suave

O presidente eleito Barack Obama e seu predecessor George W. Bush estão trabalhando para apresentar aos americanos a imagem de uma transição a mais cordial possível, em meio a uma grave crise econômica e a duas guerras - o que não impede cada parte de tratar de limitar ao máximo a influência da outra até o dia 20 de janeiro.

AFP |

Depois da reunião de segunda-feira entre Bush e Obama na Casa Branca, dos apertos de mãos e da cordialidade ostentada para os fotógrafos, o primeiro presidente negro da história dos Estados Unidos e sua equipe não pretendem sumir do mapa durante os próximos 70 dias. O objetivo continua sendo o mesmo: propor uma inversão completa das políticas de Bush, apresentadas durante toda a campanha eleitoral como "políticas de fracasso".

Por sua vez, a atual administração quer fazer o máximo para preservar o legado dos anos Bush, sobretudo no âmbito da política interna.

Nesta terça-feira, um conselheiro da equipe de Obama confirmou à AFP que o presidente eleito pediu segunda-feira a Bush uma ajuda imediata para o setor automobilístico americano, que passa por grandes dificuldades financeiras.

Em troca desta ajuda de emergência, a Casa Branca teria pedido que os parlamentares democratas desistissem de bloquear no Congresso a aprovação de um acordo de livre-comércio com a Colômbia, segundo informações publicadas pelos jornais New York Times e Washington Post.

Porém, nem Barack Obama nem os democratas, que reforçaram sua maioria no Congresso nas eleições de terça-feira passada, parecem propensos a ceder sobre este acordo com a Colômbia, ao qual se opõem há muito tempo.

A Casa Branca se recusou nesta terça-feira a confirmar se realmente Obama pressionou para conseguir este acordo.

Um porta-voz da Casa Branca, Tony Fratto, insistiu novamente no caráter particular das discussões de segunda-feira, as primeiras aprofundadas que Bush e Obama mantiveram desde a vitória do senador democrata.

Entretanto, o governo Bush não rejeitaria, sob certas condições, a idéia de que o Congresso adote uma lei para acelerar a liberação de uma verba de 25 bilhões de dólares para as montadoras já aprovada pelos parlamentares, destacou Fratto.

"Um presidente eleito que deseja estabelecer sua agenda política e nomear seu governo estará envolvido em uma série de decisões e atividades, algumas das quais podem modificar ou derrubar as decisões tomadas pela administração precedente", ressaltou o Congressional Research Service, um órgão independente, em um relatório redigido no mês passado.

Segundo o Washington Post, o governo Bush instaurou cerca de 90 novas regulamentações que a nova administração terá dificuldades em cancelar.

Na tarde desta terça-feira em Washington, John Podesta, um dos responsáveis pela equipe de transição, concedará uma entrevista coletiva para fazer um primeiro balanço sobre os 70 dias que faltam antes da posse do novo presidente dos Estados Unidos.

Paralelamente, Obama deve nesta terça-feira prestar uma homenagem aos veteranos de guerra em em sua cidade de Chicago (Illinois, norte), informou um porta-voz da equipe de transição.

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