O presidente americano eleito, Barack Obama, foi recebido nesta segunda-feira pelo presidente em final de mandato, George W. Bush, na Casa Branca, onde os dois líderes acertaram uma transição de governo suave.

Barack Obama "saudou o presidente Bush por seu compromisso com uma transição suave e por sua hospitalidade e da primeira-dama, Laura Bush, ao receber os Obama na Casa Branca", declarou Stephanie Cutter, porta-voz da equipe designada pelo senador democrata para coordenar a mudança de comando com o atual governo.

As conversas na Casa Branca foram "produtivas e amigáveis", acrescentou Cutter, na nota sobre o encontro, realizado seis dias depois da vitória democrata na eleição presidencial.

Já a porta-voz da presidência, Dana Perino, disse que Bush qualificou o encontro de "bom, construtivo, distenso e amistoso".

Obama entrou hoje, pela primeira vez, no Salão Oval da Casa Branca, onde conversou durante cerca de uma hora com Bush, setenta e um dias antes de se instalar na presidência, constatou a AFP.

O senador Obama já tinha ido várias vezes à Casa Branca, mas esta é a primeira vez que entra no Salão Oval.

Obama e sua esposa Michelle, que vieram sem suas filhas Malia e Sasha, foram recebidos pelo casal Bush na porta da Casa Branca.

Enquanto Obama e Bush seguiram diretamente para o Salão Oval, Laura levou Michelle para uma visita geral às instalações.

O período de transição entre o 43º e o 44º presidentes dos Estados Unidos é descrito como o mais difícil para o país desde Roosevelt, em 1933.

Os Estados Unidos estão passando por sua pior crise financeira desde 1933, e se preparam para a recessão e um forte aumento da taxa de desemprego.

Quase 150.000 soldados americanos continuam no Iraque, mais de cinco anos depois do início da guerra, e a vitória é incerta no Afeganistão.

Bush também alertou para o risco de que os terroristas aproveitem o período de transição para atacar novamente os Estados Unidos.

O presidente garantiu que fará todo o possível para facilitar o trabalho de seu sucessor.

Diante da "gravidade da situação", Obama afirmou que se apresentava para o encontro desta segunda-feira sem qualquer consideração partidária.

A Casa Branca disse buscar a contribuição dos conselheiros de Obama em uma cúpula inédita de dirigentes organizada por Bush para a próxima sexta e no sábado em Washington para conter a propagação da crise econômica.

Estas promessas de colaboração marcam uma mudança radical em relação ao tom que prevaleceu durante a campanha, quando Obama agitava o fantasma de Bush para dissuadir os eleitores a votar em McCain.

Várias diferenças existem entre o presidente eleito e a administração atual. Obama defende um novo plano para estimular a economia, uma idéia que não suscita o entusiasmo do governo Bush. Obama prometeu trazer de volta os soldados americanos no Iraque em no máximo 16 meses. A equipe de Obama acaba de anunciar sua intenção de reavaliar rapidamente decretos relativos à pesquisa embrionária e ao meio ambiente.

Em seu recente livro intitulado "A Audácia da Esperança", Obama relata como, durante uma visita com outros parlamentares na Casa Branca em 2004, encontrou um presidente vivendo com "certezas quase messiânicas".

Ele lembra que o presidente Bush lhe disse então: "Você tem um futuro brilhante, muito brilhante. Porém, quando se desperta tamanha atenção, as pessoas começam a sacar os revólveres. Todo mundo vai esperar que você cometa um erro, então, tome cuidado".

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