Obama e Berlusconi reforçam vínculos bilaterais e focam futuro

Washington, 15 jun (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, recebeu hoje na Casa Branca um grande amigo de Washington, o primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, com quem disse querer manter fortes vínculos bilaterais.

EFE |

"Provou ser um grande amigo dos EUA", disse Obama em declarações à imprensa após se reunir por pouco mais de duas horas com Berlusconi no Salão Oval.

"Nossas relações bilaterais são das mais estreitas no mundo e tenho certeza de que continuarão sendo enquanto nós dois continuarmos ocupando nossas posições", afirmou Obama.

O premiê italiano, que sempre foi recebido bem em Washington durante os mandatos de George W. Bush, disse querer colaborar com a Casa Branca de Obama com a mesma intensidade que fazia com o Governo anterior.

"Espero poder construir uma relação direta e amistosa com o presidente Obama. Adoraria que fosse assim", ressaltou.

Ele também dedicou elogios ao novo presidente, a quem se referiu como um líder com posições "inovadoras, concretas e completamente baseadas no bom senso".

E para que não restem dúvidas sobre sua boa opinião de Obama, acrescentou: "É tranquilizador e um prazer ver que o destino da maior democracia do mundo está em muito boas mãos".

O encontro terminou com o anúncio de que a Itália receberá três presos da base militar de Guantánamo.

"A Itália aceitou três detidos específicos de Guantánamo e foi parte da liderança na Europa que deu a conhecer hoje um marco que permite às nações europeias aceitar detidos", disse Obama.

Este foi o primeiro grande encontro dos dois líderes, que se reuniram rapidamente durante a cúpula do Grupo dos Vinte (G20, que inclui os países mais ricos e principais emergentes) em Londres, em abril, e que conversaram por telefone em várias ocasiões.

Apesar de não terem se encontrado muito, a relação dos dois governantes deu origem a manchetes devido às gafes do premiê italiano.

Na cúpula do G20, por exemplo, Berlusconi gritou o nome de Obama durante a sessão de foto em grupo, o que levou a rainha da Elizabeth II, da Inglaterra, a repreendê-lo: "Por que você tem que gritar?".

E, pouco depois da eleição de Obama, em novembro, o chefe do Governo italiano atraiu a atenção internacional ao descrever o novo inquilino da Casa Branca como "jovem, bem apessoado e bronzeado".

Nenhum desses deslizes se repetiu durante a reunião de hoje, na qual, além de Guantánamo, os governantes falaram sobre a cúpula do Grupo dos Oito (G8, que reúne os sete países mais ricos e a Rússia) que será realizada em L'Aquila, na Itália, entre 8 e 10 julho.

Ambos também debateram a situação no Afeganistão e no Paquistão, a Rodada de Desenvolvimento de Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC), a mudança climática e a crise econômica global.

Entre os temas sobre a mesa também esteve o da não-proliferação nuclear.

"Abordamos de forma detalhada meu interesse em perseguir a não-proliferação como uma agenda importante para todos os povos", disse Obama.

O presidente americano assegurou ter pedido conselho a Berlusconi sobre como abordar o tema das reduções de arsenais nucleares quando visitar Moscou antes da cúpula do G8, grupo formado por Estados Unidos, Canadá, Japão, Alemanha, Reino Unido, Itália, França e Rússia.

O primeiro-ministro italiano, por sua parte, destacou a importância que teve durante sua conversa com Obama a situação da economia mundial, um tema que centrará o encontro de L'Aquila.

"O tema prioritário é a economia mundial, a crise econômica e como sair dela", disse o líder italiano, que lembrou que a cúpula atrairá não só os países ricos, mas também nações em desenvolvimento como Brasil, China, Índia, México, África do Sul e Egito.

Berlusconi chegou a Washington em pleno escândalo sobre sua amizade com a jovem de 18 anos Noemi Letizia e a publicação de fotos na mansão do premiê de Sardenha na qual alguns dos hóspedes aparecem nus, o que se soma ao midiático e polêmico divórcio de sua esposa, Veronica Lario.

O primeiro-ministro da Itália visitou pela última vez Washington em outubro do ano passado, quando Bush realizou um jantar de Estado em sua homenagem, conversou com ele no Salão Oval e concedeu uma entrevista coletiva conjunta com o líder italiano durante a estadia de dois dias na Casa Branca.

Apesar das palavras, o primeiro encontro oficial de Berlusconi com Obama foi bem diferente. O chefe do Governo italiano permanecerá em Washington menos de um dia, já que retorna a Roma esta mesma noite. EFE tb/db

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