Obama é 1º presidente a ganhar eleições com maioria arrasadora em 12 anos

Céline Aemisegger. Washington, 5 nov (EFE).- Barack Obama se tornou hoje o primeiro presidente afro-americano eleito dos Estados Unidos, mas também é o primeiro candidato a ganhar as eleições com um landslide, uma maioria arrasadora no jargão eleitoral americano, desde 1996.

EFE |

O democrata necessitava de 270 votos no colégio eleitoral para ganhar as eleições presidenciais, uma marca que superou por ampla margem, ao obter no total, faltando o término da apuração em alguns estados, pelo menos 342 votos, frente a 143 de seu adversário, o republicano John McCain, em um pleito histórico para os EUA.

Obama é assim o primeiro candidato a conseguir uma vitória tão arrasadora desde que Bill Clinton derrotou Bob Dole em 1996 com 379 votos no colégio eleitoral frente a 159 de seu rival.

O novo líder americano atendeu às expectativas dos analistas que prediziam que Obama conseguiria a Presidência com um "landslide", um termo que significa algo como "ganhar por goleada".

Nas complexas eleições americanas esse termo é utilizado quando um candidato obtém vitórias na maior parte do país, como ocorreu com Ronald Reagan em 1984 e com Franklin D. Roosevelt (1933-1945).

No entanto, não existe um número que defina quantos votos no colégio eleitoral são necessários para a obtenção de um "landslide".

Ed Rollins, que ajudou Reagan a conseguir há 24 anos uma vitória de 525 votos no colégio eleitoral, frente a apenas 13 de Walter Mondale, considera que um candidato ganha por arrasadora maioria "sempre que consiga mais de 300 ou 320 votos no colégio eleitoral".

Gerald Hill, autor em parceria com Kathleen Thompson Hill de um dicionário sobre a política americana, explica que "normalmente significa que (o voto) excede todas as expectativas e que é, de alguma maneira, algo arrasador".

O termo "landslide" começou a ser utilizado em 1838 em casos de desastres naturais, mas os jornalistas o aplicaram poucos anos mais tarde no contexto político, segundo o renomado colunista William Safire, que ressalta que, definitivamente, significa uma "vitória sonora, uma na qual a oposição fica soterrada".

Também poderiam ser incluídos nesta categoria os triunfos de Theodore Roosevelt em 1904 sobre Alton Parker, com 336 votos no colégio eleitoral frente a 140; de Woodrow Wilson sobre Roosevelt e William Taft em 1912 (435-96); e de Warren Harding sobre James Cox em 1920 (404-127).

Classificam-se ainda para o grupo de presidentes que alcançaram uma "vitória por goleada" Herbert Hoover, que derrotou Alfred Smith com 444 votos no colégio eleitoral frente a 87 em 1928, e Lyndon Johnson, que triunfou sobre Barry Goldwater em 1964 com 486 votos frente a 52.

Por último, cabe destacar a vitória de Richard Nixon sobre George McGovern em 1972, já que enterrou as aspirações de seu adversário com 520 votos no colégio eleitoral frente a apenas 17 de seu oponente.

A eleição presidencial nos EUA não é direta, mas quem nomeia o líder é o colégio eleitoral, no qual há 538 votos disponíveis.

A cada estado, e ao Distrito de Columbia, se dá um número de votos no colégio eleitoral, de acordo com o tamanho de sua população.

O ganhador em cada estado, por menor que seja a diferença, fica com todos os votos no colégio eleitoral desse território.

As duas únicas exceções são os estados de Maine e Nebraska, onde dois dos votos no colégio eleitoral vão para o vencedor e outros três são distribuídos entre aqueles que ganharem em cada um dos três distritos em que se dividem as duas regiões.

Para proclamar-se presidente, um candidato precisa ganhar 270 do total de 538 votos no colégio eleitoral. EFE cae/fr

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