Obama diz ver poucas diferenças entre Ahmadinejad e opositor

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou, nesta terça feira, não enxergar muitas diferenças entre as políticas do atual presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, e as promessas do líder oposicionista Mir Houssein Mousavi, cuja derrota nas eleições da última sexta-feira tem causado uma onda de protestos no Irã.

BBC Brasil |

"É importante entender que, apesar da grande agitação que está acontecendo no Irã, as diferenças entre Ahmadinejad e Mousavi podem não ser tão grandes como tem sido divulgado", afirmou Obama em entrevista à rede de televisão norte-americana CNBC.

"De qualquer maneira, teremos que lidar com um regime iraniano que é historicamente hostil aos EUA", disse.

Pouco antes, durante uma coletiva de imprensa com o presidente da Coreia do Sul, Lee Myung-Bak, na Casa Branca, Obama se esquivou mais uma vez de tomar partido na questão e disse que o governo dos Estados Unidos não pode "se intrometer" nas eleições iranianas.

"Não é produtivo - dada a história das relações entre EUA e Irã - que sejamos vistos interferindo, que o presidente dos Estados Unidos se intrometa nas eleições iranianas", afirmou.

"O que eu repito é o que eu disse ontem, que quando vejo violência contra manifestantes pacíficos, quando vejo oposição pacífica sendo reprimida, onde quer que isto aconteça, é uma preocupação para mim e para o povo americano".

O presidente dos Estados Unidos afirmou ainda esperar que "os iranianos tomem os caminhos certos para que possam expressar suas vozes e aspirações".

De acordo com Justin Webb, correspondente da BBC em Washington, a resistência de Obama em tomar partido a respeito da crise política instalada no Irã pode ser fruto de relatórios de inteligência dos EUA que sugerem que Ahmadinejad pode realmente ter vencido as eleições de sexta-feira.

Mesmo assim, Obama tem sido pressionado por alguns políticos conservadores dos EUA a apoiar abertamente os manifestantes no Irã, que alegam que a vitória de Ahmadinejad seria fruto de fraude eleitoral.

"Ele (Obama) deveria dizer abertamente que estas foram eleições corruptas, fraudulentas e vergonhosas", afirmou o senador republicano John McCain, que foi vencido por Obama nas últimas eleições.

Protestos

Partidários do oposicionista Mir Hossein Mousavi realizaram novos protestos em Teerã na terça-feira , apesar das ameaças do governo e das mortes registradas nas manifestações da última segunda-feira.

Uma testemunha afirmou à BBC que os protestos ao norte de Teerã foram ainda maiores do que os do dia anterior, embora isso não possa confirmado de maneira independente. As manifestações também foram classificadas como "grandes" pela imprensa estatal iraniana.

Testemunhas afirmaram que os manifestantes caminharam em silêncio pelas proximidades da TV estatal iraniana, aparentemente para evitar serem classificados como "baderneiros" pelas autoridades.

Mais cedo, dezenas de milhares de manifestantes pró-Ahmadinejad fizeram um ato na praça Vali Asr, na região central de Teerã, onde estava planejado um ato contra os resultados da eleição. Mousavi pediu a seus simpatizantes que não comparecessem à praça, com receio de que o encontro de manifestantes resultasse em violência nas ruas de Teerã.

Segundo o correspondente da BBC em Teerã Jon Leyne, pelas imagens da TV estatal iraniana, o ato pró-Ahmadinejad parece ter sido menor do que o da oposição, mas não é possível confirmar a informação.

Os protestos começaram após a vitória de Ahmadinejad no pleito de sexta-feira, com mais de 62% dos votos, contra 33,8% de Mir Hossein Mousavi.

Na segunda-feira, protestos com centenas de milhares de pessoas contra Ahmadinejad e a eleição deixaram oito mortos. O governo do Irã chamou de "criminosos" os autores das mortes.

Na terça-feira, o Conselho dos Guardiões do Irã, órgão que supervisiona a eleição presidencial, anunciou que está disposto a recontar os votos do pleito contestados pela oposição. Mas um porta-voz do conselho disse à TV estatal iraniana que a eleição não será anulada, como exigem os candidatos moderados.

A oposição diz que a recontagem seria insuficiente, já que milhões de cédulas eleitorais teriam desaparecido.

Comunicação

O governo do Irã impôs na terça-feira novas restrições à atuação da imprensa , o que tem dificultado o acesso da BBC e outras agências de notícias aos locais onde estão sendo realizados os protestos.

Os jornalistas precisam de permissões especiais do governo para qualquer evento que forem cobrir ao saírem dos seus escritórios. Passes de imprensa estão sendo invalidados e repórteres estão proibidos de cobrir manifestações não autorizadas pelo governo.

Embora o governo esteja tentando controlar o fluxo de informações para fora do país, muitos iranianos estão usando a internet para mandar mensagens e imagens dos protestos para outros países.

Também na terça-feira, o Departamento de Estado americano afirmou ter solicitado ao site de relacionamentos Twitter que adie seus serviços de manutenção, de modo que os iranianos possam continuar usando-o como ferramenta de comunicação. Suspeita-se que o governo do país esteja bloqueando o acesso de alguns usuários ao site.

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