Obama diz que violência afeta esperança de diálogo com Irã

WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse nesta sexta-feira que suas esperanças por um diálogo direto com o Irã foram afetadas pela brutalidade do governo de Teerã na repressão ultrajante aos manifestantes que protestaram contra o resultado da eleição presidencial.

Reuters |

"Não há dúvida de que qualquer diálogo direto ou diplomacia com o Irã será afetado pelos eventos das últimas semanas, e não sabemos ainda como qualquer diálogo possível terá sido afetado até que vejamos o que aconteceu dentro do Irã", disse Obama numa entrevista coletiva conjunta na Casa Branca com a chanceler alemã, Angela Merkel.

"As discussões vão continuar no cenário internacional sobre o programa nuclear do Irã. Acho que o diálogo direto entre os Estados Unidos e o Irã e como isso vai se desenvolver... vamos ter de ver como acontecerá nos próximos dias e semanas", afirmou.

Obama rejeitou a exigência do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, de um pedido de desculpas, por ter, segundo Ahmadinejad, interferido na eleição iraniana.

"Não levo a sério as declarações do senhor Ahmadinejad sobre as desculpas, particularmente dado que os Estados Unidos saíram do caminho para não interferir no o processo eleitoral do Irã", afirmou.

O líder norte-americano elogiou os manifestantes. "A coragem deles diante da brutalidade é um testemunho de sua busca duradoura por justiça. A violência perpetrada contra eles é ultrajante."

Obama afirmou ainda que o principal rival de Ahmadinejad, o ex-premiê Mirhossein Mousavi, "conquistou a imaginação" dos iranianos que querem se abrir ao Ocidente.

Ele reiterou as preocupações dos EUA com relação ao programa nuclear do Irã. Washington teme que as atividades tenham como propósito o desenvolvimento de armas atômicas. Teerã, porém, diz que elas têm como finalidade a geração de energia nuclear.

"A posse de armas nucleares pelo Irã deflagrará uma corrida armamentista no Oriente Médio que seria ruim para a segurança de toda a região", afirmou Obama.

"Portanto, mesmo enquanto falamos claramente em uníssono em oposição à violência que tem ocorrido no Irã, temos também de ser firmes em reconhecer que a perspectiva de o Irã com uma arma nuclear é um grande problema."

Protestos

Desde o anúncio da vitória em primeiro turno do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, nas eleições de 12 de junho, o Irã se tornou palco de protestos e de uma violenta repressão na qual morreram pelo menos 20 pessoas e centenas foram detidas.

O resultado eleitoral, que a oposição denuncia como fraudulento, evidenciou as diferenças na classe clerical da cúpula do regime teocrático iraniano e causou os maiores protestos em 30 anos de Revolução Islâmica.

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