Obama diz que queima do Alcorão é incentivo para Al-Qaeda

Líder dos EUA se referia a plano de pastor evangélico de queimar livro sagrado muçulmano para marcar 9º aniversário do 11/09

iG São Paulo |

AP
Pastor Terry Jones em Gainesville, Flórida. Ele planeja queimar cópias do Alcorão para marcar o nono aniversário do 11 de Setembro de 2001 (30/08/2010)
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, alertou nesta quinta-feira que o plano de um pastor da Flórida de queimar cópias do Alcorão está sendo usado pela rede terrorista Al-Qaeda como uma ferramenta de recrutamento de militantes.

Obama classificou o plano de queima de exemplares do livro sagrado como "ato destrutivo", afirmando que poderia provocar "grande violência". O presidente americano pediu que o pastor Terry Jones reconsidere a decisão.

"Isso é um incentivo para o recrutamento pela Al-Qaeda", disse Obama em uma entrevista ao programa de televisão "Good Morning America", da TV ABC. "Há grave violência em lugares como Paquistão e Afeganistão. Isso pode ampliar o recrutamento de pessoas que desejariam se explodir em cidades americanas ou cidades europeias."

"Se é que (Jones) escuta isso, espero que entenda que o que está disposto a fazer contraria completamente nossos valores", acrescentou Obama. Ele disse também que, como comandante das Forças Armadas, espera que o líder da igreja "entenda que sua ação poderia colocar em grande perigo nossos jovens no Iraque e no Afeganistão".

Ignorando as críticas mundiais, Jones, pastor da igreja Dove World Outreach, em Gainesville, reiterou na quarta-feira que não voltará atrás em seu plano de queimar cerca de 200 cópias do Alcorão no sábado, quando completa-se o nono aniversário dos ataques terroristas do 11 de Setembro, que deixaram cerca de 3 mil mortos em ataques com aviões nos EUA.

"Sentimos que essa mensagem é importante. Ainda estamos determinados a fazê-lo, sim", declarou o Jones à CBS na quarta-feira. Ele disse que a mensagem da igreja é destinada aos radicais do Islã. "Queremos que eles saibam que, se estão na América, precisam obedecer nossas leis e Constituição e não empurrar lentamente a agenda deles sobre nós", completou.

O chefe das tropas americanas no Afeganistão, geral David Petraeus , e o chefe do Estado-Maior Conjunto, almirante Mike Mullen, advertiram que a profanação do Alcorão poderia enfurecer aos muçulmanos no mundo todo.

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton , o secretário de Justiça, Eric Holder, a ex-governadora do Alasca, Sarah Palin, e o Vaticano, entre outras vozes influentes, expressaram sua oposição ao plano de Jones.

Repercussão mundial

AFP
Ativistas de partido islâmico do Paquistão protestam contra plano de pastor dos EUA Terry Jones de queimar exemplares do Alcorão no 11 de Setembro
Por meio de uma carta, o presidente da Indonésia, Susilo Bambang Yudhoyono, pediu nesta quinta-feira a Obama que adote medidas para impedir a queima do Alcorão e assim evitar tensões entre as religiões, informou o porta-voz da presidência indonésia, Teuku Faizasyah.

"O projeto de queimar o Alcorão provoca uma grande inquietação porque pode desencadear um conflito entre as religiões", disse Faizasyah. "Na carta, o presidente Yudhoyono escreveu que Indonésia e Estados Unidos estão construindo uma ponte entre o mundo Ocidental e o Sslã. Se o Alcorão for queimado, esses esforços serão destruídos", completou o porta-voz.

O governo da Índia também condenou o plano do pastor Jones, pedindo às autoridades americanas que adotem "medidas fortes" e aos meios de comunicação indianos que não exibam imagens do acontecimento.

O ministro do Interior da Índia, P. Chidambaram, condenou o que chamou de "ato deplorável, que foi obviamente calculado para aumentar a tensão entre os grupos religiosos". "Esperamos que as autoridades dos EUA adotem medidas fortes para prevenir que um ato deplorável seja cometido", disse.

Na quarta-feira, vários países e organizações , incluindo o Vaticano, condenaram o plano de Jones, que também vem estimulando protestos em países como o Paquistão.

*Reuters, EFE e AFP

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