Macarena Vidal. Washington, 6 mai (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, expressou seu compromisso durável com o Afeganistão e o Paquistão, e afirmou que os líderes dos dois países compartilham sua determinação para lutar contra o terrorismo.

Obama se reuniu hoje separadamente com os presidentes do Afeganistão, Hamid Karzai, e do Paquistão, Asif Ali Zardari, e manteve depois uma cúpula trilateral com os dois líderes na Casa Branca, para buscar a cooperação contra a rede terrorista Al Qaeda e o movimento talibã, que já se encontra próximo de Islamabad.

"Quero que estes dois homens, líderes eleitos do Afeganistão e do Paquistão, se deem completamente conta da seriedade das ameaças que encaramos e tenham reiterado seu compromisso para enfrentá-las", disse o presidente americano, ao lado de Karzai e Zardari.

A segurança, disse, "é um problema compartilhado, como aprendemos de maneira muito dolorosa após os atentados de 11 de setembro de 2001, uma lição que não esqueceremos".

Segundo o presidente, "o caminho pela frente será difícil, haverá mais violência e passos para trás, mas contamos com um compromisso durável para derrotar a Al Qaeda e apoiar os Governos democráticos do Paquistão e do Afeganistão".

Esse esforço, prometeu, será "sustentado", e os Estados Unidos "não retrocederão em seu empenho".

A alternativa oferecida pela Al Qaeda e pelo movimento talibã, disse, é "um futuro de violência e desesperança, e esse não é o futuro que o povo paquistanês quer ou merece".

As conversas de hoje, que foram precedidas por uma reunião no Departamento de Estado entre Karzai, Zardari e a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, tinham como objetivo buscar vias de cooperação entre Afeganistão e Paquistão, e destes dois países com os EUA, contra o movimento talibã.

Esses esforços foram obscurecidos hoje depois que bombardeios da aviação americana no Afeganistão deixaram várias vítimas civis, algo que obrigou Hillary a expressar o "profundo pesar" de seu Governo.

Obama garantiu que, na luta para erradicar os talibãs e a Al Qaeda, serão adotados "todos os esforços possíveis para evitar baixas civis".

Em declarações anteriores, Hillary expressou sua satisfação pelo que considerava "sinais muito animadores", após os encontros com os líderes do Paquistão e do Afeganistão.

Em particular, Washington queria pressionar o Paquistão para que enfrente o Talibã de maneira decidida.

Nas últimas semanas, os EUA expressaram sua preocupação pelo que considera uma permissividade excessiva do Governo de Zardari em relação aos talibãs, aos quais permitiu impor a sharia (lei islâmica) em áreas do nordeste paquistanês, em troca de evitar um levante nessa região.

No entanto, as tentativas do talibã, que se encontram no Vale do Swat - a cerca de 100 quilômetros do Paquistão -, de assumir o controle do vizinho Buner causaram grande preocupação em Islamabad.

O lançamento pelas forças paquistanesas de uma ofensiva em ambas as localidades contra os insurgentes foi interpretado em Washington como um sinal de que o Governo paquistanês começa a perceber a necessidade de enfrentar os talibãs.

A cooperação, evidenciaram tanto Obama quanto Hillary, terá caráter não só militar, mas também econômico e de ajuda ao desenvolvimento, que inclua, entre outros, o fomento de cultivos alternativos ao ópio, abundante no Afeganistão, e o incentivo aos movimentos democráticos nos dois países.

No Afeganistão, Obama prometeu apoiar os esforços para "enfrentar a corrupção que bloqueia o progresso".

Em relação ao Paquistão, "devemos fazer mais que enfrentar os que querem destruí-lo. Devemos apoiar os que querem levantá-lo", disse o presidente americano, que lembrou que propôs triplicar a ajuda anual a esse país para a construção de infraestrutura.

Zardari e Karzai, que viajam acompanhados de vários ministros, devem continuar amanhã uma rodada de reuniões com outros representantes do Governo americano. EFE mv/an

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