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Obama diz que não quer ditar políticas na América Latina

María Peña. Washington, 7 ago (EFE).- O presidente americano, Barack Obama, ressaltou hoje o compromisso de seu Governo para estreitar os laços com a América Latina sem ditar políticas, e lamentou não ter um botão para reconduzir o presidente hondurenho deposto, Manuel Zelaya, ao poder.

EFE |

Obama teve hoje um encontro na Casa Branca com representantes de veículos de imprensa de língua espanhola no qual repassou a política dos Estados Unidos com a América Latina e especialmente a situação em Honduras, Colômbia e México.

Durante os 45 minutos do encontro, Obama se esforçou em deixar clara a mudança de política que seu Governo conduz na região e, neste contexto, disse considerar irônico que "alguns dos que criticaram a ingerência dos EUA na América Latina, se queixem agora de que o país não está interferindo o suficiente".

O chefe de Estado americano insistiu em que a intenção de seu país é forjar alianças na região e não impor sua vontade.

O encontro ocorreu às vésperas da segunda viagem oficial de Obama ao México, desta vez para à Cúpula de Líderes da América do Norte, em Guadalajara, nos próximos dias 9 e 10.

Perguntado pela Agência Efe sobre a Colômbia, Obama foi enfático ao declarar que seu Governo não autorizou e nem tem planos de estabelecer uma base militar nesse país.

"Acho que é um bom momento para derrubar o mito de que estamos estabelecendo bases militares americanas na Colômbia. Essa declaração não se sustenta nos fatos, tanto que somos absolutamente claros ao dizer que temos um acordo de segurança com a Colômbia durante muitos anos e que queremos atualizá-lo", explicou Obama.

Sem citar nomes - não falou da Venezuela em nenhum momento -, Obama afirmou que "alguns países na região estão tentando desempenhar um papel utilizando a tradicional retórica anti-ianque".

Washington e Bogotá negociam um acordo para que os EUA utilizem sete bases colombianas para realizar operações conjuntas na luta contra o narcotráfico. Antes, essas operações eram conduzidas a partir da base equatoriana de Manta, cuja concessão não foi renovada aos EUA pelo presidente do Equador, Rafael Correa.

Sobre a crise em Honduras, Obama foi contundente ao falar que os EUA quer o restabelecimento do presidente deposto, Manuel Zelaya, para que possa completar seu mandato até janeiro de 2010.

"Porém, não posso apertar um botão e de repente reinstaurar o senhor Zelaya", disse o presidente americano ao assegurar que, desde que o golpe de Estado aconteceu, em 28 de junho, os EUA foram "muito claros" ao expressar que isso era "ilegal".

Obama reiterou que seu país apoia a mediação do presidente costarriquenho, Óscar Arias, mas quer que o assunto seja discutido em um "contexto internacional" porque os EUA são "apenas um país entre tantos outros".

O chefe de Estado americano também falou sobre a luta contra os cartéis da droga no México, outro foco de tensão na região e um assunto que corresponde aos EUA, principalmente porque o consumo de drogas e o fluxo ilegal de armas e dinheiro rumo ao sul nutrem o narcotráfico.

A violência ligada ao tráfico de drogas cobrou a vida de mais de dez mil pessoas - quase quatro mil apenas em 2009 - desde que o presidente mexicano, Felipe Calderón, que chegou ao poder em dezembro de 2006, declarou guerra aos traficantes.

Obama vê essa resposta militar como um ato de coragem - para ele, Calderón "está fazendo o certo" -, mas grupos defensores dos direitos humanos, entre eles a Anistia Internacional, querem que o Congresso congele parte da ajuda destinada ao México até que o país demonstre melhoras nesse campo.

O presidente americano não quis comentar sobre se Calderón deve ou não modificar essa estratégia, mas discordou da ideia de que os abusos aos direitos humanos sejam algo "inevitável" na luta antinarcóticos.

A violência ligada ao tráfico de drogas será um dos temas do encontro bilateral entre Obama e Calderón no próximo domingo, assim como o comércio, a segurança fronteiriça, entre outros assuntos. EFE mp/bba

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