Obama diz que medidas contra a crise já dão resultados

Washington, 1º ago (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, animado com o anúncio de que a economia dos Estados Unidos encolheu apenas 1% no segundo trimestre, disse hoje que as medidas financeiras que seu Governo adotou contra a crise começam a surtir efeito.

EFE |

O otimismo do chefe de Estado se deve ao fato de a contração registrada entre abril e junho, a quarta consecutiva num trimestre, ter sido bem menor que a aferida nos seis meses anteriores.

No programa de rádio que faz aos sábados, o presidente afirmou que as medidas do atual Governo estão dando resultados. Porém, destacou que são necessários mais investimentos de longo prazo para consolidar os avanços.

A queda de 1% no Produto Interno Bruto (PIB) anunciada ontem pelo Departamento de Comércio também foi menor que a calculada pelos analistas, que esperavam um retração de 1,5%.

Segundo Obama, o novo número revela que, nos últimos meses, a economia teve um desempenho melhor que o esperado. Parte dessa recuperação foi atribuída pelo presidente ao pacote econômico de US$ 787 bilhões elaborado pelo Governo, que prevê investimentos em obras de infraestrutura, cortes nos impostos e medidas para estimular a geração de empregos.

"Esta e outras importantes mas difíceis medidas que tomamos nos últimos seis meses ajudaram a frear a recessão", declarou o chefe de Estado.

O Departamento de Comércio também revisou o crescimento negativo do PIB no trimestre anterior, inicialmente de 5,5% e elevado para 6,4%, o maior desde 1982.

Essa correção, de acordo com Obama, ainda serviu para mostrar que a recessão no país "era pior do que se imaginava".

O presidente, porém, destacou que os últimos relatórios, entre estes os do mercado imobiliário e do setor empresarial, indicam que a economia do país finalmente começa a entrar nos trilhos novamente.

Os investimentos empresariais, que tinham caído nos últimos meses, parecem estar se estabilizando. "Isso pode ser um sinal de que, em breve, as empresas começarão a crescer outra vez e a recontratar funcionários. Será nesse momento em que sentiremos a recuperação", disse Obama.

No entanto, o presidente admitiu que o constante aumento do desemprego continua sendo um obstáculo para a normalização da atividade econômica.

Segundo os números oficiais, a taxa de desemprego nos últimos meses cresceu progressivamente até atingir 9,5% em junho, o maior patamar em 26 anos.

"No que se refere a mim, nunca teremos uma recuperação enquanto continuarmos perdendo empregos", mas "a história mostra que é preciso a economia crescer para que empregos sejam gerados", acrescentou o chefe de Estado americano.

O pressente disse ainda que a esperada recuperação não acontecerá de um dia para outro e que também serão necessários mais investimentos em capacitação, para que a força de trabalho consiga se adaptar ao desenvolvimento das tecnologias que "gerarão os empregos do futuro".

A visão otimista de Obama, no entanto, não é compartilhada pelos republicanos. Para os opositores, o plano de estímulo lançado pelo presidente "fracassou", já que a economia continua estagnada.

Com a situação econômica melhorando ou não, o Congresso tem sobre a mesa um projeto para a reforma da saúde estimado em US$ 1 bilhão, número difícil de ser digerido num momento de crise. Por conta disso e da folta de consesno, o processo está perdendo velocidade em ambas as câmaras. Paralelamente, a iniciativa também perde o apoio da população, segundo as pesquisas.

No discurso semanal dos republicanos, o senador John Thune recriminou os democratas por terem "aumentado os gastos e a dívida pública a um ritmo sem precedentes".

Disse ainda que a reforma na saúde proposta por Obama está longe de melhorar o sistema - 45 milhões de pessoas nos EUA não têm seguro médico-. Apenas "aumentará ainda mais o déficit", destacou o legislador. EFE elv/sc

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