Obama diz que há tempo para acordo sobre clima

Por Matt Spetalnick e Phil Stewart LAQUILA, Itália (Reuters) - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, declarou na cúpula do G8 nesta quinta-feira que ainda há tempo para eliminar as divergências com os países em desenvolvimento na questão das mudanças climáticas, depois que o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, criticou o G8 por não ter se empenhado duramente no tema.

Reuters |

No primeiro dia do encontro em L'Aquila, na Itália, o G8 não conseguiu fazer com que a China e a Índia aceitassem a meta de reduzir pela metade as emissões de gás do efeito estufa até 2050.

Obama esperava deixar sua marca na sua primeira cúpula do Grupo dos Oito, na qual presidirá uma reunião de nações ricas e potências emergentes sobre meio ambiente. Ele afirmou que ainda pode haver avanços antes das conversações para a assinatura de um novo tratado da ONU sobre mudanças climáticas, na conferência de Copenhague, em dezembro.

O porta-voz da Casa Branca Robert Gibbs informou que Obama disse ao presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, que "ainda há tempo para que eles possam eliminar as divergências antes daquele importante encontro".

Obama iria presidir a reunião do Fórum das Grandes Economias (FEM, na sigla em inglês), que deve firmar um acordo para tentar limitar o aquecimento global a 2 graus centígrados em relação aos níveis pré-industriais, mas não chegará a um entendimento sobre a escala da redução das emissões do gás do efeito estufa.

O secretário-geral da ONU disse que até o momento o avanço na questão das mudanças climáticas no G8 "não é suficiente".

"Isto é moral e politicamente um imperativo e responsabilidade histórica... para o futuro da humanidade, até mesmo para o futuro do nosso planeta Terra", disse Ban.

Avanços foram prejudicados pela ausência do presidente chinês, Hu Jintao, que partiu de L'Aquila para tratar dos confrontos por motivos étnicos que mataram 156 pessoas no noroeste da China.

DIVIDIR A CARGA

O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, disse esperar que a meta de aumento da temperatura no planeta obtenha o aval "de todos os países presentes à mesa de diálogo hoje" - Estados Unidos, Japão, Alemanha, Grã-Bretanha, Canadá, Itália, França e Rússia, mais as potências emergentes, como China, Índia, Brasil, África do Sul, Indonésia e México, grupo conhecido como

G5.

Mas uma fonte no G8 disse que "não é realista" esperar um acordo na questão das emissões. A Índia afirmou que os países em desenvolvimento primeiro querem ver os planos dos países ricos para prover financiamento que os ajude a enfrentar maiores inundações, ondas de calor, tempestades e elevação dos mares. Eles também querem que as nações ricas promovam cortes maiores nas emissões até 2020.

As temperaturas já subiram cerca de 0,7 grau Celsius desde que a Revolução Industrial disseminou a queima de combustíveis fósseis. O primeiro-ministro da Itália, Silvio Berslusconi, disse que todo mundo deveria arcar com o peso de enfrentar o problema.

"Não seria produtivo se os países europeus, Japão, Estados Unidos e Canadá aceitassem cortes que são economicamente prejudiciais enquanto mais de 5 bilhões de pessoas em outros países continuam a agir como antes", disse Berlusconi.

O primeiro dia da cúpula do G8 foi dominado pelo frágil estado da economia mundial. Os países admitiram que ainda há riscos significativos para a estabilidade financeira.

Antes da reunião mais ampla desta quinta-feira, as nações emergentes se queixaram de que estão sofrendo pesadamente com os efeitos de uma crise que não provocaram.

China, Índia e Brasil puserem em questão a possibilidade de o mundo começar a procurar uma nova moeda de reserva mundial, como alternativa para o dólar. Após discutirem o assunto na reunião de quarta-feira, eles dizem que poderão levantar o tema no encontro desta quinta-feira

O chanceler da Índia, Shivshankar Menon, declarou que economias emergentes do G5 haviam sugerido usar divisas alternativas para o comércio entre si. O debate toca num ponto muito delicado para os mercados financeiros, que vêm com cautela os riscos para o valor dos bens dos EUA, por isso é pouco provável que avance em L'Aquila.

O G8 e o G5 esperam obter progresso sobre as conversações da Rodada de Doha para liberação do comércio, atualmente estancadas, para chegarem a um acordo até 2010.

O G5 afirmou estar disposto a enfrentar as maiores dificuldades para o avanço de Doha, o que propiciaria "um grande estímulo para a restauração da confiança nos mercados mundiais". Mas o grupo fez um chamado aos países ricos para que removam barreiras comerciais e restabeleçam o crédito para as nações pobres.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG