Obama diz que futuro de McChrystal será decidido após reunião

Presidente diz que comandante dos EUA no Afeganistão cometeu "erro de julgamento" ao fazer declarações polêmicas a Rolling Stone

iG São Paulo |

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Ao lado do secretário de Defesa, Robert Gates, Obama fala sobre o caso McChrystal
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou nesta terça-feira que só tomará uma decisão sobre o futuro do general Stanley McChrystal após uma conversa com ele. Principal comandante dos EUA no Afeganistão, McChrystal fez críticas a Obama e outros integrantes do governo em uma reportagem publicada na revista "Rolling Stone".

Segundo Obama, o encontro com o general acontecerá na quarta-feira . Ele disse que McChrystal e sua equipe cometeram um "erro de julgamento". "Mas quero ter certeza de que falei com ele diretamente antes de tomar qualquer decisão", disse Obama em reunião de gabinete acompanhada por jornalistas.

Mais cedo, o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, disse que Obama ficou "irritado" depois de ler as controvertidas declarações. Segundo a imprensa americana, fontes da Casa Branca que não quiseram ser identificadas afirmaram que o general disse estar disposta a renunciar ao cargo.

Na reportagem da "Rolling Stone", McChrystal, comandante dos 142 mil soldados da coalizão no Afeganistão, ironiza abertamente o vice-presidente Joe Biden, conhecido por seu ceticismo ante a estratégia militar no país asiático.

No perfil, o autor Michael Hastings escreve que McChrystal e sua equipe imaginaram formas de subestimar Biden com uma única oração, enquanto se preparavam para um sessão de perguntas e respostas em abril em Paris. O general estava cheio de questões sobre Biden desde que previamente desconsiderou uma estratégia de contraterrorismo oferecida pelo vice americano.

"'Você está perguntando sobre o vice-president Biden?' diz McChrystal com uma risada. 'Quem é ele?'"

McChrystal também diz se sentir "decepcionado" por uma reunião que manteve com Obama na qual não se entenderam e inclusive "traído" pelo embaixador dos EUA em Cabul, Karl Eikenberry, que se mostrou publicamente contra o envio adicional de 40 mil soldados ao Afeganistão solicitado pelo general no final do ano passado.

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Primeira página da reportagem da "Rolling Stone" sobre o general, que será publicada sexta-feira

Segundo diferentes fontes que tiveram acesso a trechos do artigo, o general faz comentários jocosos também sobre o enviado especial dos EUA para o Afeganistão e o Paquistão, Richard Holbrooke.

Além disso, um assessor não identificado de McChrystal comenta no artigo que o general ficou frustrado depois de se reunir com Obama há um ano. "Foi uma sessão fotográfica de 10 minutos", afirmou esse assesor. "Obama claramente não sabia nada sobre ele, quem era ele... Ele não parecia muito comprometido", acrescentou.

Desculpas

McChrystal pediu desculpas pelo artigo . Dois oficiais da Defesa disseram que o general também demitiu um assessor de imprensa por causa da matéria, que será publicada na edição de sexta-feira da "Rolling Stone".

"Ofereço minhas mais sinceras desculpas por esse perfil. Foi um erro que reflete equívocos de avaliação e nunca deveria ter acontecido", admitiu o general em comunicado divulgado à imprensa. "Ao longo da minha carreira, vivi sob os princípios da honra pessoal e da integridade profissional. O que se reflete nesse artigo está muito longe" dessas ideias, afirmou.

"Tenho um enorme respeito e admiração pelo presidente Obama e sua equipe de segurança nacional, assim como pelos líderes civis e os soldados que lutam nessa guerra (afegã), e sigo comprometido em assegurar um resultado bem-sucedido", disse.

Otan apoia general

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) considerou "bastante infeliz" a matéria que deve ser publicada na próxima sexta feira com críticas do chefe das operações no Afeganistão ao presidente Barack Obama, mas reiterou sua "plena confiança" no militar americano.

"A matéria da 'Rolling Stone' é bastante infeliz, mas é apenas uma matéria", declarou o porta-voz da Otan, James Appathurai, em comunicado. "Estamos em meio de um conflito muito real, e o secretário-geral tem plena confiança no general McChrystal e em sua estratégia", acrescentou.

Com AP

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