Obama diz que EUA sairão mais fortes da crise

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou na noite desta terça-feira que os EUA sairão mais fortes da atual crise econômica e prometeu mais investimentos em educação, energia e saúde. As declarações foram feitas durante o primeiro discurso de Obama como presidente diante das duas casas do Congresso americano.

BBC Brasil |

"Apesar de nossa economia estar enfraquecida e nossa confiança abalada, esta noite quero que todos os americanos saibam: nós vamos nos reconstruir, nós vamos nos recuperar. Os Estados Unidos vão sair (da crise) ainda mais fortes do que antes", afirmou Obama diante de parlamentares da Câmara dos Representantes e do Senado.

Dizendo estar se dirigindo não apenas aos membros do Congresso, mas "aos homens e mulheres que nos elegeram", ele afirmou que os Estados Unidos passaram por um período de "irresponsabilidade".

"Se formos honestos com nós mesmos, temos que admitir que, por muito tempo, nós nem sempre cumprimos com nossas responsabilidades - como governo e como povo", disse.

AP
Obama adentrou o Congresso acompanhado pelo líder Democrata Harry Reid (à dir.)

"O fato é que nossa economia não entrou em declínio da noite para o dia. Nós vivíamos em uma era em que, muitas vezes, ganhos de curto prazo eram preferíveis à prosperidade de longo-prazo. Nós não conseguíamos olhar além do próximo pagamento ou da próxima eleição", afirmou Obama, que completou: "O dia do ajuste de contas chegou. O tempo de tomarmos a responsabilidade pelo nosso futuro é agora".

O presidente americano também defendeu o plano de recuperação econômica de US$ 787 bilhões recentemente aprovado pelo Congresso e reafirmou que "nos próximos dois anos, ele irá criar ou manter 3,5 milhões de empregos".

Segundo ele, a partir do dia 1º de abril, "95% das famílias de trabalhadores dos EUA" começarão a receber cortes de impostos.

O pacote econômico de Obama tem sofrido diversas críticas de membros do Partido Republicano, que consideram seus gastos excessivos.

Em resposta, ele afirmou que haverá uma fiscalização "sem precedentes" de "cada dólar gasto" e prometeu transparência para mostrar aos contribuintes "onde seu dinheiro está sendo gasto".

O presidente dos Estados Unidos ainda anunciou a criação de um fundo de crédito para a compra de automóveis, pagamentos de gastos com educação e para pequenos negócios.

AFP
Em discurso no Congresso, o presidente dos EUA defendeu as montadoras 
de Detroit: "o país que inventou automóvel não pode abandoná-lo"

Reafirmando a disposição de seu governo em auxiliar instituições bancárias em dificuldades, Obama disse ainda que podem ser necessários recursos além do pacote US$ 1,5 trilhão já anunciado para colocar o sistema financeiro nos eixos.

Ele recebeu aplausos de muitos membros do Congresso quando afirmou que os bancos que receberem o auxílio público serão fiscalizados.

"Desta vez, os executivos não irão usar o dinheiro do contribuinte para aumentar seus ganhos. Estes dias terminaram", disse. "Não se trata de ajudar bancos, mas de ajudar as pessoas".

O discurso de Obama no Congresso acontece poucos dias antes do anúncio do novo orçamento dos EUA, por meio do qual Obama deve procurar diminuir o déficit gigantesco do país, que atualmente é de mais de US$ 1 trilhão.

Ele reafirmou uma promessa feita na última segunda-feira de que o déficit será cortado pela metade até o final de seu primeiro mandato e disse que sua equipe está analisando o orçamento federal "linha por linha" para cortar gastos excessivos.

O presidente dos Estados Unidos ainda afirmou que o orçamento apresentará investimentos em três áreas "críticas para nosso futuro econômico: energia, saúde e educação".

Obama ainda disse que seu orçamento aumentará o contingente de soldados e fuzileiros navais nas Forças Armadas e prometeu aumentar salários e a assistência aos veteranos.

O correspondente da BBC em Washington, Kevin Connolly, afirma que o discurso de Obama nesta terça-feira foi "poderoso" e que trouxe uma "mensagem de esperança" maior que nos últimos feitos pelo presidente.

Embora tenha se focado em problemas domésticos na maior parte do discurso, Obama tocou em alguns pontos de política externa.

Ele afirmou que seu governo está revisando as políticas para as guerras no Iraque e no Afeganistão e disse que irá anunciar em breve um plano de retirada do Iraque.

Obama, no entanto, não fez nenhuma referência ao Irã, cujo programa nuclear é considerado um dos grandes desafios para a política externa de seu governo.

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