Obama diz que EUA não torturam, mas recusa investigação independente

Washington, 21 mai (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou que pode garantir hoje, sem exceção nem erro, que seu país não tortura, mas reiterou sua oposição que os responsáveis do Governo anterior sejam investigados por uma comissão independente.

EFE |

"Hoje, aqui, como presidente dos EUA, posso dizer sem exceção ou erro que não torturamos", disse Obama, em seu discurso sobre segurança nacional nos Arquivos Nacionais da nação, onde estão os documentos mais importantes do país.

Mas também advertiu que, se o país não conseguir "virar a página" do enfoque que foi aplicado durante os últimos anos, "então não serei capaz de afirmar isso como presidente".

O líder americano disse que seu Governo protegerá os americanos, aplicando um marco legal que permita aos Estados Unidos lutar contra o terrorismo e, ao mesmo tempo, ater-se à lei.

Em seu discurso, Obama deixou de novo clara a necessidade de "olhar para o futuro" e não para o passado no que se refere a investigações sobre os responsáveis da era Bush que legitimaram e ordenaram a tortura nos interrogatórios a suspeitos.

O presidente disse que é contra que uma comissão independente investigue este episódio, porque considera que as instituições democráticas dos EUA são suficientemente fortes para exigir que os responsáveis prestem contas.

"O Congresso pode rever abusos de nossos valores e indagações sobre assuntos como técnicas de interrogação. O Departamento de Justiça e outras cortes podem abordar o assunto e punir qualquer violação de nossas leis", disse Obama, sugerindo que, apesar de ser contra a comissão, não se opõe à via judicial.

O presidente se referiu diretamente à publicação, há algumas semanas, de documentos nos quais altos cargos do Governo de George W. Bush legitimaram e autorizaram duras práticas de interrogação a suspeitos de terrorismo.

Obama disse que autorizou a divulgação dos documentos porque já se conhecia seu conteúdo previamente, e rejeitou categoricamente o argumento que a publicação proporciona informação aos terroristas.

Estas alegações, disse, "são infundadas".

Também justificou sua decisão de não divulgar as fotos que mostram práticas de tortura a supostos terroristas durante a era Bush, porque, reiterou, "inflamariam" a opinião antiamericana e colocariam em risco as tropas americanas no exterior.

O presidente americano disse que não existe uma "fórmula simples" para decidir se deve ser desclassificada ou não informação delicada.

Obama prometeu não publicar nada que coloque em risco os americanos, mas também disse que "nunca esconderá a verdade" dos cidadãos.

Neste contexto, disse que aplicará regras legais mais estritas para determinar que material pode ser protegido, e afirmou que informará voluntariamente ao Congresso quando usar esse privilégio presidencial. EFE cae/an

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG