ANCARA - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse ao mundo muçulmano na segunda-feira que os EUA não estão em guerra contra o Islã e usou sua primeira viagem internacional para tentar recuperar a imagem arranhada do país no exterior.

Obama busca se aproximar do mundo muçulmano
Obama busca se aproximar do mundo muçulmano


Buscando mostrar seriedade na forma de atingir os muçulmanos, Obama enfatizou seu apoio à criação de um Estado palestino, apesar da eleição recente de um governo de direita em Israel.

"Deixe-me dizer isso o mais claro possível: Os Estados Unidos não estão, e nunca estarão, em guerra com o Islã", disse ele, em um discurso ao parlamento turco.

Em sua primeira viagem como presidente ao mundo muçulmano, que acusou seu antecessor, George W. Bush, de tender para o lado de Israel, Obama afirmou: "Os Estados Unidos apoiam fortemente a meta de dois Estados, Israel e Palestina, vivendo lado a lado em paz e segurança".

O principal negociador de paz palestino, Saeb Erekat, saudou as palavras de Obama, dizendo que ele fez um comprometimento importante para com a solução de dois Estados. O gabinete do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que Israel está comprometido em alcançar a paz e iria cooperar com o governo Obama para alcançar essa meta.

Obama encontra-se na última parte de sua primeira viagem pelo mundo como presidente. Ele tem tentado reatar os laços com os muçulmanos após a fúria provocada pela invasão do Iraque e pela guerra no Afeganistão.

"Eu também quero deixar claro que a relação da América com o mundo muçulmano não pode e não será baseada na oposição à Al-Qaeda. Longe disso. Nós buscamos um amplo comprometimento, com base nos interesses mútuos e no respeito mútuo. Vamos ouvir com atenção, atenuar as divergências, e buscar uma base comum."

A Turquia é uma importante rota de passagem para tropas e equipamentos dos EUA com destino ao Iraque e ao Afeganistão. Enquanto os EUA reduzem o número de soldados seus no Iraque, a base da força área de Incirlik deve exercer um papel-chave e Obama conversou sobre esse assunto com líderes turcos.

A visita de Obama também é um sinal de aprovação ao poder regional político e econômico da Turquia e ao seu status de democracia secular em busca de lugar na União Européia.

"Dada a atividade e credibilidade turca na região mais ampla que vai do Afeganistão ao Oriente Médio, passando pelas rotas de energia, Obama quer dar sangue novo a uma parceria estratégica com a Turquia", disse Cengiz Cander, comentarista turco e especialista em Oriente Médio.

No final do dia, Obama pediu aos ministros de Relações Exteriores de Turquia e Armênia para completar negociações que visam a retomada das relações entre os dois vizinhos, de acordo com uma autoridade norte-americana.

Os turcos aceitam que muitos cristãos armênios foram mortos pelos otomanos durante a Primeira Guerra Mundial, mas nega que 1,5 milhão de pessoas tenham morrido em decorrência de um genocídio sistemático.


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