Obama diz que eleição mostra 'profunda frustração' dos americanos

Após maior mudança de controle partidário na Câmara em 62 anos, líder pede trabalho conjunto entre democratas e republicanos

iG São Paulo |

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou nesta quarta-feira que o resultado das eleições legislativas do país mostra a "profunda frustração" do povo americano com o ritmo da recuperação econômica.

"Fizemos progressos nos últimos dois anos, mas está claro que muitos americanos não as sentiram, e foi isso que nos disseram ontem (terça-feira)", afirmou Obama no primeiro pronunciamento após a votação, em que a vitória da oposição republicana na Câmara de Representantes representou a maior mudança de partido na Casa em 62 anos.

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Obama faz primeiro pronunciamento após eleições legislativas dos Estados Unidos
Obama afirmou, porém, que a divisão de poder nos Estados Unidos mostra que a população não quer que apenas um partido dê as cartas sobre o futuro do país. "Quero sentar com pessoas dos dois partidos. Sei que não será fácil e não conseguiremos resolver todas as desavenças. Mas acho que a população quer que nos concentremos na criação de empregos, na sua segurança e no seu futuro", afirmou.

Obama disse que "não é ingênuo o suficiente" para pensar que todos os interesses políticos serão deixados de lado até a eleição presidencial de 2012. Mesmo assim, disse esperar que todos - incluindo ele mesmo - trabalhem mais para conseguir chegar a um consenso.

"A competição mais importante não é entre republicanos e democratas, mas entre a América e seus concorrentes econômicos em todo o mundo", afirmou. "Vamos precisar estar unidos para vencer essa competição.

O Partido Democrata perdeu a maioria na Câmara dos Representantes, mas manteve o controle do Senado nas eleições legislativas realizadas nesta terça-feira. Segundo resultados parciais, o Partido Republicano conquistou pelo menos 60 cadeiras na Câmara dos Representantes que antes estavam nas mãos dos democratas, ganhando assim o controle da Casa.

A contagem dos votos ainda está em andamento. Por volta das 15h30, os republicanos tinham conquistado 239 vagas na Câmara, contra 185 dos democratas. Outras 12 cadeiras ainda estão sendo disputadas. Na corrida pelo Senado, apesar de candidatos democratas terem perdido vagas para a oposição em pelo menos seis Estados, o partido conseguiu manter a maioria. Neste momento, os democratas têm 51 vagas na Casa, contra 46 dos republicanos. O resultado de três disputas ainda não foi divulgado.

Os resultados das eleições mostram ainda a vitória de algumas estrelas do movimento conservador Tea Party: em Kentucky, o republicano Rand Paul venceu o democrata Jack Conway, e na Flórida, Marco Rubio venceu o independente Charlie Christ e o democrata Knedrick Meek. No entanto, uma das figuras de maior destaque do Tea Party nesta campanha, Christine O'Donnell, perdeu a corrida pelo Senado em Delaware para o democrata Christopher Coons.

Mesmo sem a totalidade dos votos computados, o deputado John Boehner, líder republicano que deverá assumir como o novo presidente da Câmara dos Representantes, fez um discurso pouco depois da meia-noite (2h de quarta-feira, em Brasília) declarando a vitória de seu partido.

No pronunciamento, Boehner prometeu reduzir os gastos do governo e o tamanho do Estado. "Está claro que o grande vencedor da noite é o povo americano", disse Boehner. "Com suas voz, a população está exigindo uma mudança em Washington."

O presidente Barack Obama telefonou para Boehner para parabenizá-lo por sua vitória em Ohio. Em uma rápida conversa, Obama manifestou sua vontade de trabalhar em conjunto.

Estavam em jogo nestas eleições todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 37 das cem vagas do Senado. Os eleitores também escolheram governadores de 37 dos 50 Estados americanos. Para assumir o controle da Câmara, os republicanos precisavam tirar pelo menos 39 cadeiras dos democratas - resultado que deixaria o partido de Obama com 216 cadeiras. No Senado, os republicanos precisariam ganhar 10 cadeiras para obter o controle.

A eleição desta terça-feira é considerada um veredicto sobre o governo de Obama, que assumiu prometendo mudanças mas ainda não conseguiu implementar muitos de seus projetos. Os Estados Unidos conseguiram sair da recessão, mas o ritmo da recuperação econômica tem sido considerado lento demais para reduzir a taxa de desemprego, que permanece há vários meses em torno de 10%.

Especialistas afirmam ainda que as grandes conquistas dos primeiros anos de Obama na Casa Branca, como as reformas da saúde e do sistema financeiro, exigiram medidas impopulares e resultaram em queda nos índices de aprovação do presidente.

Tea Party

Nesse cenário de descontentamento da população e de uma certa apatia dos democratas, os republicanos ganharam força, ajudados pela popularidade do Tea Party, movimento que não é um partido político e reúne centenas de grupos conservadores espalhados pelo país.

Os membros do Tea Party se opõem às políticas do governo Obama e à interferência do Estado na economia e em outros setores da sociedade, e muitos candidatos republicanos apoiados pelo movimento ganharam destaque nesta campanha - em muitos casos desbancando políticos tradicionais do Partido Republicano nas primárias.

Em muitos dos Estados, além votar em candidatos ao Congresso e aos governos locais, os eleitores também participaram de referendos a respeito de cerca de 160 medidas. Em um dos mais polêmicos, eleitores da Califórnia tiveram de decidir se apóiam ou não a legalização da maconha no Estado. Resultados parciais indicam que a proposta foi rejeitada.

Na disputa pelos governos estaduais, os republicanos conquistaram pelo menos um Estado considerado crucial para as eleições presidenciais de 2012: em Ohio, John Kasich derrotou o governador democrata Ted Strickland. No entanto, os democratas saíram vitoriosos em outros Estados importantes, como Nova York, onde Andrew Cuomo derrotou o republicano Carl Paladino.

Com BBC

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