O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou nesta terça-feira, durante uma visita surpresa ao Iraque, que chegou o momento de os iraquianos assumirem a responsabilidade por seu país. É o momento de transferirmos (o poder) aos iraquianos.

Eles precisam assumir a responsabilidade pelo seu país", disse em um discurso a soldados americanos.

Em sua primeira visita como presidente ao Iraque, Obama se encontrou com soldados da missão norte-americana e agradeceu pelo que classificou como suas "realizações extraordinárias".

Após pousar no aeroporto internacional de Bagdá, Obama viajou por terra até a base militar de Camp Victory para se encontrar com o general Ray Odierno, comandante das tropas dos EUA no Iraque, e alguns dos 140 mil soldados americanos que servem no país.

Falando aos soldados, o presidente americano afirmou que os próximos 18 meses "podem ser um período crítico" e que as tropas dos EUA devem se retirar das cidades iraquianas até meados do verão deste ano.

Obama também afirmou que a maior parte das tropas deve deixar o país até o final de 2010.

Um pequeno número de conselheiros militares e equipes de apoio devem permanecer no Iraque até o final de 2011.

Maliki

A visita, que durou menos de cinco horas, também incluiu um encontro com o premiê iraquiano Nouri al-Maliki, que viajou até a base militar para se reunir com Obama.

Após a reunião, um porta-voz de Maliki afirmou que o encontro foi "positivo" e que Obama "reafirmou o compromisso americano de retirar as tropas como anteriormente planejado".

Obama também afirmou ao premiê iraquiano que foram feitos progressos na segurança do país, mas que é "absolutamente importante" que todos os iraquianos possam se integrar no sistema político.

"Nós defendemos que medidas políticas devem ser tomadas para solucionar as diferenças entre as várias facções no Iraque e assegurar um futuro próspero e pacífico. Nós vimos muitos progressos, mas é muito importante que todos os iraquianos estejam integrados no governo e nas forças de segurança", disse o presidente dos EUA.

Obama ainda afirmou que os Estados Unidos respeitam a soberania do Iraque e não têm interesses nos recursos do país.

"Os Estados Unidos não têm interesses nos recursos ou no território do Iraque. Nós respeitamos a soberania e os sacrifícios dos iraquianos e procuramos uma transição completa da segurança e da prosperidade da nação", disse Obama a Maliki.

Segurança

Por razões de segurança, a Casa Branca não fez um anúncio prévio sobre a visita de Obama ao Iraque nem divulgou detalhes sobre sua agenda no país.

Mas, segundo o correspondente da BBC em Bagdá, Jim Muir, havia muita especulação a respeito de uma visita de Obama ao Iraque ou ao Afeganistão ao final de sua viagem oficial à Europa.

Embora os níveis de violência no Iraque tenham diminuído nos últimos meses, a visita de Obama acontece um dia depois de mais de 34 pessoas terem morrido em aparentes ataques coordenados de carros-bomba em Bagdá.

Alguns militares americanos e autoridades do governo do Iraque têm expressado em privado preocupações de que a violência possa aumentar após a retirada das tropas americanas.

Segundo o correspondente da BBC, Obama usou a visita para assegurar os líderes iraquianos de que a retirada das tropas será feita de maneira responsável e que evite que o país mergulhe em uma crise.

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