WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, considera que ainda é cedo demais para decidir se serão necessárias mais tropas no Afeganistão, mas ressaltou que o êxito não será alcançado simplesmente com o envio de mais soldados.

Em entrevista concedida à "Newsweek", da qual a revista publica neste fim de semana vários trechos em seu site, Obama afirmou que a decisão em fevereiro de enviar mais 17 mil soldados ao Afeganistão foi a mais difícil em seus primeiros meses de mandato. Esses soldados se somarão aos cerca de 38 mil que já estavam no país asiático.

"Garantir que levou em conta cada aspecto e que desenhou a melhor estratégia possível, até sabendo que, em uma situação como a do Afeganistão, a tarefa é extraordinariamente difícil e não há garantias, isso a torna uma decisão muito complicada e difícil", disse o presidente americano.

Obama, que em março passado anunciou uma nova estratégia para o Afeganistão e o Paquistão, diante do avanço talibã e da crescente instabilidade na região, não descartou aumentar os efetivos americanos na área se for necessário, mas disse que, por enquanto, estudar isso é "prematuro".

"Não vamos ter êxito simplesmente mandando mais e mais tropas. Os soviéticos já tentaram isso e não funcionou muito bem", disse.

"Devemos ver nossa ação militar dentro do contexto de um esforço mais amplo para estabilizar a segurança no país", afirmou.

Obama acrescentou que também é preciso "permitir que ocorram eleições, e então oferecer o espaço para as tarefas essenciais de desenvolvimento necessárias", para que um Governo legítimo e transparente seja considerado uma melhor alternativa do que o movimento talibã.

Segundo ele, "o componente militar é básico para conseguir esse objetivo, mas não é suficiente por si só".

Na entrevista, Obama também defendeu suas tentativas de aproximação ao Irã.

"Acho que existe a capacidade de que essa República Islâmica mantenha seu caráter muçulmano enquanto, ao mesmo tempo, é um membro respeitável da comunidade internacional e não represente uma ameaça para seus vizinhos", disse.

No entanto, reconheceu que conseguir isso será difícil, mas especificou que, se o processo acabar por não dar resultados, "o Irã terá isolado a si mesmo, em vez da percepção de que, de algum modo, é a vítima de um Governo americano que não respeita a soberania iraniana".

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