Obama diz que conversará com América Latina e pedirá explicações a Chávez

Teresa Bouza Washington, 23 mai (EFE).- Caso seja eleito presidente dos Estados Unidos, o pré-candidato democrata à Casa Branca Barack Obama falará com toda a América Latina, mas pedirá explicações à Venezuela por seu envolvimento com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e prevê um gradativo estreitamento da relação com Cuba em entrevista à Agência Efe.

EFE |

"Teremos que dar uma série de passos, obviamente, antes de ter uma conversa diplomática séria", declarou Obama.

O senador por Illinois deixou clara sua convicção de que é necessário que os Estados Unidos voltem a se envolver em uma "diplomacia enérgica" com a comunidade internacional.

Em julho do ano passado, Obama afirmou estar disposto a se reunir "incondicionalmente" não apenas com os chefes de Estado venezuelano, Hugo Chávez, e cubano, Raúl Castro, mas também com outros governantes mais polêmicos, como o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad.

Essas declarações foram objeto de polêmica nos EUA, cuja linha oficial se opõe ao diálogo com esses governantes.

Na entrevista à Efe, Obama assegurou que não seguirá os atuais passos da Casa Branca, que se caracterizaram, segundo ele, por "julgar seus aliados se apóiam ou não a agenda do presidente George W. Bush".

Mesmo assim, a campanha do senador enfatizou recentemente a controvertida promessa de reunião "incondicional", ao insistir que os encontros com os líderes mais polêmicos serão precedidos de "preparativos".

Na linguagem diplomática, o termo equivale às conversas entre funcionários de segundo escalão para determinar se há motivos para que os líderes dos países se reúnam.

O pré-candidato democrata confirmou que essa será a agenda que o guiará na aproximação com Havana e Caracas. Obama disse esperar que as duas partes da mesa de negociações dêem passos para estreitar as relações.

O senador declarou que no caso de Cuba o primeiro passo a ser dado por seu Governo, para mostrar sua "boa fé", seria o relaxamento das restrições enfrentadas pelos cubanos que moram nos EUA e tentam enviar dinheiro e visitar seus familiares na ilha.

Em relação à Venezuela, Obama disse que buscará, antes de qualquer diálogo diplomático sério, uma "prestação total de contas" da relação mantida entre o Governo de Chávez com as Farc, que "foi muito prejudicial para a região".

Vários documentos vazados à imprensa dos computadores de "Raúl Reyes", porta-voz internacional das Farc morto em uma operação militar da Colômbia em 1º de março contra um acampamento da guerrilha no Equador, supostamente vinculam a Venezuela ao financiamento do grupo rebelde.

Obama, favorito para ser indicado à candidatura presidencial do Partido Democrata, destacou que, assim que chegar à Casa Branca, também buscará um caminho para garantir a cidadania americana aos 12 milhões de imigrantes ilegais que vivem nos EUA.

"Acho que é importante que tenhamos uma sólida segurança na fronteira e que os empresários que contratam propositalmente imigrantes ilegais sejam punidos. Mas também acho que devemos buscar uma via para a cidadania" para aqueles que não têm nenhuma documentação, acrescentou.

Obama, que pode ser o primeiro presidente negro dos EUA, também se referiu às tensões existentes no país entre hispânicos e afro-americanos, duas minorias que olham entre si com receio de competir pelos mesmos trabalhos que exigem pouca qualificação.

Uma pesquisa divulgada em janeiro deste ano pelo centro Pew destacava que quase metade dos negros dizia que os imigrantes diminuíam suas oportunidades de conseguir um emprego.

A atual corrida à Casa Branca fez com que as relações entre afro-americanos e hispânicos ganhasse relevância.

A maioria dos negros apóia Obama, enquanto os latinos respaldam sua rival direta pela candidatura presidencial democrata, a ex-primeira-dama Hillary Clinton.

O senador, que agora tenta ganhar terreno entre os hispânicos, sugeriu que os dois grupos deveriam acabar com a hostilidade e lutar por seus interesses comuns.

"Precisamos trabalhar juntos, não lutar entre si por coisas mínimas", declarou Obama, que acrescentou que, se for eleito, buscará melhorar a cobertura sanitária e o acesso à educação para hispânicos e afro-americanos. EFE tb/wr/plc

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG