Teresa Bouza. Washington, 14 ago (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pediu hoje o apoio popular a seu plano de reforma da saúde, qualificado como urgente, já que, segundo ele, o atual sistema está arruinando famílias e empresas.

"Preciso que vocês falem com seus vizinhos e que divulguem os dados", afirmou Obama, durante uma assembleia popular no estado americano de Montana, para explicar os detalhes de seu controverso plano de reforma.

O Congresso deverá debater o programa a partir do dia 8 de setembro, quando os legisladores voltarem do recesso de verão.

O plano da Casa Branca procura, em linhas gerais, mudar as regras que regem os seguros de saúde, ampliar a cobertura aos 47 milhões de pessoas que não têm acesso às garantias e reduzir as despesas sem aumentar o já estratosférico déficit público.

Obama afirmou hoje que para que os EUA possam ter êxito no século XXI, é necessário determinar as bases para uma prosperidade duradoura.

"A reforma sanitária é um dos pilares-chave dessas novas bases", afirmou o presidente.

Assegurou que muitos americanos são "prisioneiros" das seguradoras, que negam cobertura por condições médicas pré-existentes, cancelam as apólices quando ficam doentes ou aplicam tarifas que não podem pagar quando mais precisam.

"Isso é ruim", disse Obama, que afirmou que o atual sistema está "causando a quebra de famílias e empresas".

"Vamos regulá-lo quando aprovarmos a reforma sanitária este ano", afirmou o presidente, que criticou a excessiva ênfase dado pela mídia aos protestos realizados recentemente.

"Vocês sabem como a televisão adora causa alvoroço", disse Obama, em meio a aplausos.

Disse ainda que as cadeias de televisão não deram ênfase às "muitas reuniões construtivas" que estão sendo realizadas em todo o país.

Obama deu como exemplo a assembleia popular realizada na terça-feira, no estado de New Hampshire, e que contou a participação de milhares de pessoas.

"Alguns eram grandes partidários da reforma, alguns tinham preocupações e perguntas e alguns eram totalmente céticos", afirmou Obama, que disse ter se alegrado com o fato de que o povo não foi ao encontro "para gritar".

"Estavam ali para escutar e acho que isso reflete ao povo americano muito mais que o que vimos nas televisões nos últimos dias", afirmou.

Durante os últimos dias, o deputado democrata do Texas Lloyd Doggett foi criticado por uma multidão enfurecida, o legislador democrata de Nova York Tim Bishop teve que ser escoltado pela Polícia e o parlamentar da Carolina do Norte Brad Miller recebeu ameaças de morte por não convocar uma assembleia em seu distrito.

Sob os gritos de "eutanásia", "medicina socializada" e "tomada de poder do Governo", os opositores tornaram praticamente impossível o diálogo nas assembléias convocadas pelos legisladores de cada estado, para explicar o plano a seus eleitores.

Alguns manifestantes pediram inclusive a morte de Obama, como um em Maryland, que levou um cartaz com a mensagem de "Morte a Obama e morte a Michelle e suas filhas tontas".

A rede de televisão "ABC" apontou, em uma reportagem divulgada hoje, que os especialistas em crimes de ódio estão cada vez mais preocupados com a retórica violenta dirigida a Obama, sobretudo à medida que o debate sobre a reforma médica esquenta e começam as ameaças.

Democratas como Doggett afirmam que, após os acalorados episódios, não há um movimento popular espontâneo, mas uma campanha organizada por políticos e corporações.

"Esta é uma campanha coordenada pelo Partido Republicano e a indústria seguradora", disse Doggett, em entrevista recente à rede de televisão "CNN".

Os republicanos negam.

Os americano que estão protestando nas assembléias são "cidadãos que estão preocupados (...) com o fato de que o Governo tome o controle de uma indústria após outra", disse o congressista republicano Mike Pence à Agência Efe.

A reforma sanitária é prioridade na política interna do Governo de Obama, que quer que seja aprovada até o fim do ano.

O plano demandará investimentos de ao redor de US$ 1 trilhão, em um período de 10 anos. EFE tb/pd

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