Washington, 2 mai (EFE).- O presidente americano Barack Obama afirmou hoje que os Estados Unidos atuam de maneira rápida e agressiva para combater a gripe suína, enquanto o número de infectados pelo vírus AH1N1 segue aumentando a cada dia, chegando a 160 casos em 21 estados.

Obama, que enfrenta seu primeiro desafio de saúde pública desde que chegou à Casa Branca, prometeu em seu discurso no rádio dos sábados usar "todos os recursos necessários" para combater o vírus e impedir um surto mais amplo.

Em uma tentativa de tranquilizar a população, o presidente disse que o país "está mais bem preparado do que nunca" para lidar com um desafio como esse, porque se preparando para um novo surto desde a aparição da gripe aviária, em 2005.

Nos Estados Unidos, está ativado desde o fim de semana passado um alerta de "emergência de saúde pública".

É sob este status que o Governo transferiu aos estados um quarto de sua reserva de 50 milhões de doses de remédios antivirais, investindo US$ 13 milhões na compra de novas doses para repor as reservas e pedindo ao Congresso US$ 1,5 bilhão para poder adquirir mais remédios se for necessário.

O presidente afirmou que, até o momento, o impacto da gripe suína "não foi tão potente ou mortal" nos EUA como no México, país onde se originou a epidemia, mas também advertiu que ela tem o potencial de provocar uma pandemia -já confirmada pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

A rapidez com a qual os Estados Unidos reagiram à aparição deste novo vírus não freou, por enquanto, sua propagação no país, onde em apenas 24 horas o número de casos confirmados aumentou de 141 para 160, estendendo-se de 19 para 21 estados.

Segundo o Centro para o Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês), dos EUA, foram confirmados casos da gripe suína em mais três estados -Connecticut (um), Flórida (dois) e no Missouri (um)-, enquanto foi descartado um caso que, ontem, havia sido confirmado no Nebraska.

O Texas continua sendo o único estado onde uma pessoa morreu, no caso, um menino mexicano de dois anos de idade.

Por enquanto, as autoridades não esperam novas vítimas fatais, mas Anne Schuchat, diretora-adjunta interina de Ciência e Saúde Pública do CDC admitiu hoje que isto não a surpreenderia.

Encontrar mais mortes por este vírus é difícil, dado que, a cada ano, cerca de 36 mil pessoas morrem por gripe comum nos Estados Unidos Ao todo, 13 pessoas permanecem internadas nos EUA com casos confirmados de gripe suína, segundo Anne Schuchat.

O CDC também observou um aumento de visitas com sintomas de gripe a salas de emergência, mas é difícil saber se isto se deve a casos reais ou ao temor das pessoas.

As crianças são os que correm mais riscos de contrair a doença, e embora a idade dos doentes varie, a maioria tem menos de 20 anos, ressaltou a diretora do CDC.

Até o momento, pelo menos 434 colégios suspenderam suas atividades para prevenir possíveis contágios, deixando 245 mil estudantes de 18 estados sem aula.

A maioria dos casos confirmados de gripe suína nos EUA não tem conexão direta com o México, origem do surto e onde a epidemia é mais estendida -com 16 de todas 17 mortes confirmadas até agora.

Segundo Anne Schuchat, é de aproximadamente um terço a proporção de infectados nos EUA vinculados ao país vizinho.

"É mais provável que as pessoas contraiam o vírus em sua própria comunidade. Há uma transmissão sustentada nos Estados Unidos", admitiu.

Ela se declarou "encorajada" e "cautelosamente otimista", no entanto, pelos novos dados divulgados hoje desde México, onde os números apontam a que a propagação da gripe pode ser menor do que as autoridades temiam.

No entanto, recomendou que se mantenha a vigilância e lembrou que no passado ocorreram casos em que uma epidemia ou pandemia ressurgiu em uma segunda onda, após se pensar que ela havia desaparecido.

"Estamos atuando de maneira agressiva para garantir que estejamos um passo à frente" do vírus, concluiu, em referência às palavras utilizadas por Obama. EFE cai/jp

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