Obama diz que África pode resolver seus próprios problemas

O presidente americano, Barack Obama, em sua primeira visita à África subsaariana depois que assumiu o cargo, disse que o continente precisa tomar o controle do próprio destino e defendeu que bons governos são vitais para o desenvolvimento das nações africanas.

Redação com agências internacionais |

AFP
Obama realiza primeira visita a Ghana

No discurso feito no parlamento de Gana - país escolhido para a visita por seu histórico de democracia -, Obama também afirmou que a África tem muitos desafios pela frente, mas prometeu que os Estados Unidos vão ser um parceiro do continente.

A viagem do presidente americano a Gana vem logo após a Cúpula do G8, na Itália, que reuniu os países mais industrializados do mundo.

"Nós queríamos vir a um país africano depois do G8 e da minha viagem a Moscou para enfatizar que a África não está isolada das questões mundiais", disse Obama após encontrar com o presidente ganense, John Atta Mills, na capital Acra.

"Eu vim aqui para Gana por um motivo simples. O século 21 vai ser marcado não só pelo que acontece em Roma, em Moscou ou em Washington, mas também pelo que acontece em Gana", afirmou.

Aplausos na chegada

Reuters
Obama faz discursso

Obama faz discursso

Na chegada ao parlamento, Barack Obama foi recebido com o som de trombetas, uma saudação tradicional no país. Obama agradeceu e brincou: "Nosso congresso precisa de uma dessas".

A mensagem principal do discurso foi de que o futuro da África pertence aos africanos, mas Obama admitiu que o legado do colonialismo ajudou a criar conflitos no continente.

"O Ocidente não é responsável, no entanto, pela destruição da economia do Zimbábue na última década ou por guerras em que crianças são convocadas como combatentes", completou o presidente.

Obama elogiou o progresso de Gana, seu governo e crescimento econômico, dizendo que os sucessos do país eram menos dramáticos que as lutas de liberação do século 20, mas que, no fim das contas, seriam muito mais significativos.

"Desenvolvimento depende de boas administrações. Este é o ingrediente que tem faltado em muitos lugares, por tempo demais. E esta é uma responsabilidade que só pode ser assumida pelos africanos", disse Obama aos legisladores ganenses.

Sangue africano

Lembrando seu pai, que morava em um pequeno vilarejo do Quênia, Obama lembrou que tem "sangue africano nas veias" e pediu que o continente lute por "parlamentos fortes, polícia honesta, juízes independentes e uma imprensa livre". "A África não precisa de homens fortes, mas sim de instituições fortes. Ninguém quer viver em uma sociedade onde a lei dá lugar à brutalidade e à corrupção. Isso não é democracia, isso é tirania", disse Barack Obama.

Reuters
Obama e a família em centro de escravidão

Depois, Obama a companhado da esposa, Michelle, descendente de escravos, e das filhas, Malia e Sasha, fez uma visita guiada ao Castelo de Cape Coast, antigamente um dos principais pontos de partida dos escravos para América, Europa e Caribe.

O antigo centro de tráfico de escravos, que fica 160 quilômetros ao oeste da capital Acra, foi construído no século XVII e no início era um centro de negociação de madeira e ouro.

Obama definiu a visita como "uma experiência". "Por um lado, este é um lugar de profunda tristeza, e por outro, é onde o percurso de grande parte da experiência afroamericana começou", disse.

*Com informações da BBC Brasil, EFE e AFP

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