Obama diz não se preocupar com manobra para aprovar reforma na saúde

Washington, 17 mar (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou hoje que não se preocupa com a disputa no Congresso sobre um regulamento que permitiria a aprovação da reforma de saúde sem a necessidade de um voto formal.

EFE |

"Não passo muito tempo me preocupando com os regulamentos dos procedimentos na Câmara de Representantes ou no Senado", disse Obama em uma entrevista ao canal "Fox".

"O que posso dizer é que o voto realizado na Câmara de Representantes será um voto pela reforma de saúde (...) se votam contra, votarão contra a reforma do cuidado da saúde e a favor do status quo", afirmou.

Com viagens e discursos por todo o país, o presidente participou de uma intensa campanha de persuasão em favor da reforma, que amplia a cobertura médica, regula os planos e reduz os custos da saúde.

É a primeira vez que Obama se pronuncia publicamente sobre a conturbada disputa entre democratas e republicanos, em uma tática parlamentar que permite que a Câmara aprove a versão da reforma ratificada em dezembro pelo Senado sem a necessidade de um voto formal.

Em entrevista coletiva, o líder da maioria democrata na Câmara de Representantes, Steny Hoyer, disse que a bancada do partido está à espera da análise que será entregue pelo Escritório Orçamentário do Congresso (CBO) sobre o plano.

"Votaremos assim que ela estiver pronta para a apresentação no plenário. Diria com toda segurança que sábado ou domingo são possibilidades", explicou Hoyer.

A hierarquia democrata na Câmara permite essa opção legislativa uma vez que a maioria dos membros do partido se opõe à versão aprovada pelo Senado, por assuntos espinhosos que vão desde a exclusão da chamada 'opção pública' até questões fiscais e o aborto.

Os republicanos, em geral, criticam os democratas por estarem supostamente violando as regras com o uso da tática, e pensam em submeter uma resolução a voto amanhã, que exige o registro de uma opinião formal e decisiva sobre a reforma.

"Há muita coisa em jogo e este projeto de lei é controvertido demais para que não tenha uma prestação de contas absoluta", disse o líder da minoria republicana na Câmara, John Boehner.

Obama deve iniciar no próximo domingo uma viagem pela Austrália e a Indonésia, e os líderes republicanos prometeram fazer todo o possível para bloquear o plano de reforma e obrigar o retorno às negociações.

Os democratas retrucam que os republicanos recorreram a esse truque parlamentar muitas vezes quando tinham o controle do Congresso para aprovar leis impopulares entre a oposição.

Segundo o polêmico procedimento, a Câmara poderia aprovar simultaneamente, sem programar um voto formal, a reforma de saúde do Senado enquanto debate e vota uma série de modificações a esse mesmo plano em um segundo projeto de lei.

Essa segunda legislação teria as remodelações à reforma de saúde do Senado que os democratas votaram a contra gosto.

A reforma, preparada entre os democratas e a Casa Branca, recebeu o respaldo do legislador Dennis Kucinich, da ala mais progressista do Partido Democrata e que se opunha ao plano por considerá-lo insuficiente.

Grupos a favor e contra intensificaram os ataques mútuos e investiram somas milionárias em campanhas midiáticas esta semana.

EFE mp/pb/rr

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