Obama diz ao papa que quer reduzir abortos nos EUA

Por Philip Pullella e Jeff Mason CIDADE DO VATICANO (Reuters) - O presidente dos EUA, Barack Obama, prometeu ao papa Bento 16 nesta sexta-feira que fará o possível para reduzir o número de abortos no país, informou o Vaticano.

Reuters |

Obama e o pontífice conversaram em reservado por cerca de 40 minutos no estúdio particular do papa no palácio do Vaticano e o presidente lhe contou sobre a cúpula do G8, que havia terminado horas antes na cidade de L'Aquila, na região central da Itália. O Vaticano disse bioética e vida foram os assuntos centrais da conversa.

Em um gesto surpreendente, o pontífice lhe deu um livreto explicando por que o Vaticano se opõe a práticas como o aborto e a pesquisa com células-tronco embrionárias, as quais Obama apóia.

"Obama falou ao papa sobre seu compromisso de reduzir o número de abortos e sua atenção e respeito pelas posições da Igreja Católica", disse a jornalistas o porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi.

O papa deu a Obama uma cópia de um documento recente do Vaticano sobre bioética, no qual a Santa Sé explica a sua oposição a tais práticas.

A instrução "Dignitas Personae" (dignidade de cada pessoa) condena a fertilização artificial e outras técnicas usadas por muitos casais e ainda diz que a clonagem humana, a seleção de embriões e a pesquisa com célula-tronco embrionária são imorais.

O documento defende a vida desde a concepção até a morte natural.

O secretário particular do papa disse aos jornalistas depois do encontro: "Essa leitura pode ajudar o presidente a entender melhor a posição da Igreja nessas questões."

Durante a sessão de fotos, após a parte privada da audiência, Obama disse ao papa: "Esperamos uma relação muito forte entre nossos dois países."

O papa disse a Obama, que é cristão: "Eu rezo por você."

Ele também deu ao presidente uma cópia da última encíclica "Caridade na Verdade," que pede por uma "autoridade política mundial" que administre a economia global e por uma maior regulamentação governamental sobre as economias nacionais a fim de retirar o mundo da atual crise e evitar que ela se repita.

Obama, que do Vaticano iria ao aeroporto, brincou com o papa quando recebeu dele os dois documentos: "Terei algo para ler no avião."

SATISFEITO COM O G8

Obama chegou ao Vaticano sob forte segurança. Boa parte da área em torno do Vaticano foi bloqueada e os serviços de celulares foram interrompidos enquanto passava o comboio do presidente.

Diferentemente do seu antecessor, George W. Bush, Obama e o papa não concordam sobre as questões do aborto e da pesquisa com célula-tronco embrionária.

Ainda assim, o Vaticano diz que quer manter um diálogo construtivo com Obama em uma série de assuntos, incluindo paz, Oriente Médio, meio ambiente e diálogo com o mundo muçulmano.

A cúpula do G8 prometeu 20 bilhões de dólares em auxílio agrícola para ajudar os países pobres a produzir alimentos.

"Foi muito produtivo, em especial hoje", disse Obama ao papa.

Antes de chegar ao Vaticano, Michelle Obama e as filhas Malia e Sasha fizeram um tour particular pela Basílica de São Pedro e pela Capela Sistina.

Depois que a conversa particular entre o papa e Obama terminou, Michelle Obama uniu-se aos dois.

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