Obama diz a Lula crer em acordo sobre clima até fim do ano

Apesar de um impasse que deve impedir um acordo sobre o combate ao aquecimento global entre os países que estão em Áquila, na Itália, para a reunião de cúpula anual do G8, o presidente dos Estados Unidos disse, durante um encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que ainda acredita num acordo até o final do ano. Segundo relatos da conversa reservada entre os dois líderes, Barack Obama observou ao presidente brasileiro que ainda há tempo para que as divergências entre os países desenvolvidos e os países em desenvolvimento sejam resolvidas até dezembro, quando acontece em Copenhague, na Dinamarca, uma conferência da ONU com o objetivo de fechar um acordo para o chamado Tratado pós-Kyoto.

BBC Brasil |

O presidente americano disse que Brasil e Estados Unidos têm condições de liderar as discussões e a busca por uma alternativa que permita ao mundo chegar a um acordo para conter o aquecimento global.

Obama disse a Lula acreditar que os dois países podem juntos discutir a questão e chegar a uma posição comum para levar a Copenhague uma proposta conjunta.

Impasse
O encontro entre os dois presidentes ocorreu poucas horas antes de uma reunião entre líderes de 17 países para buscar um consenso sobre cortes de emissões de gases para combater o aquecimento global.

A reunião da tarde desta quinta-feira em Áquila faz parte do Fórum das Grandes Economias sobre a Energia e o Clima, convocado por Obama, e que já teve uma primeira reunião em abril, em Washington.

Mas posições divergentes entre os países desenvolvidos do G8 (Alemanha, Itália, Estados Unidos, França, Japão, Canadá, Grã-Bretanha e Rússia) e os países em desenvolvimento do G5 (Brasil, China, Índia, África do Sul e México) permanecem como um entrave a um possível acordo.

Na quarta-feira, os países do G8 se propuseram a fazer um corte de 80% em suas emissões até 2050, desde que o mundo como um todo se comprometa a um corte de 50% nesse mesmo período.

Mas a proposta é rejeitada pelos países em desenvolvimento, que argumentam não ter como cortar suas emissões de maneira significativa sem prejudicar o seu crescimento.

"Para os países em desenvolvimento é mais complicado cortar as emissões, porque ainda estão em fase de luta contra a pobreza e a miséria", comentou o principal negociador brasileiro sobre a questão, o embaixador Luiz Alberto Figueiredo Machado, diretor do Departamento de Meio Ambiente e Questões Climáticas do Itamaraty.

Segundo ele, projetos necessários do ponto de vista social, como a ligação de energia elétrica em comunidades carentes, trazem com eles inevitavelmente mais emissões de gases por causa do aumento no consumo.

Figueiredo Machado disse que os países em desenvolvimento concordam apenas em reduzir a velocidade de crescimento de suas emissões, mas não aceitam a determinação de metas de cortes das emissões impostas pelos países ricos.

Segundo o diplomata brasileiro, outro ponto de discórdia é a ausência de metas intermediárias, de mais curto e médio prazo, na proposta feita pelo G8. Segundo ele, sem isso a posição dos países desenvolvidos "perde totalmente a credibilidade".

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