Obama divide Irã entre ceticismo e apreensão

Teerã, 21 jan (EFE).- Uma complexa mistura de ceticismo e apreensão, algumas doses de suspeita e gotas de esperança percorrem o Irã após a chegada à Casa Branca de Barack Obama.

EFE |

O novo presidente americano prometeu uma mudança na política, até agora de confronto, com o Irã, o que foi recebido com esperança nas ruas e com cautela pela classe política.

"Se ambos os países atuarem de forma razoável, considerando os interesses do outro e apelando à justiça mútua, garanto que haverá uma relação sã e aceitável em um futuro não muito distante", afirma à Agência Efe Rasul Montayabnia, vice-secretário do partido pró-reformista "Etemad Meli" (Confiança Nacional).

"Washington deve mudar sua estratégia e o Irã deve introduzir mudanças em seu discurso. Se for assim, pode se reverter a atual situação e transformar uma relação bélica em uma relação pacífica e lógica", acrescenta.

Aliados durante a primeira metade do século 20, Estados Unidos e Irã romperam laços diplomáticos há quase 30 anos, desde que durante a Revolução Islâmica, a embaixada dos EUA em Teerã foi invadida, com 52 americanos sendo mantidos como reféns durante 444 dias.

"O povo iraniano considera os EUA o culpado de todos os crimes cometidos durante a etapa do Xá (Reza Pahlevi, derrubado em 1979).

Também acredita que os EUA não respeitaram a Revolução Islâmica e o prejudicou na guerra com o Iraque. Enquanto tiver este comportamento, não pode mudar a opinião pública iraniana", assinala Montayabnia.

O pessimismo e o ceticismo oficial contrastam com a esperança de grande parte da sociedade iraniana, que sonha com que uma mudança na relação bilateral signifique uma melhora em suas condições de vida.

"Obama parece trazer uma esperança, uma mudança de verdade.

Tomara se torne realidade", diz à Efe Maryam Farzaneh, estudante na Universidade de Teerã.

Apesar de sua aparente inexperiência em política internacional, Obama parte com uma vantagem.

Durante o segundo mandato de Bill Clinton -de cujo Governo Obama herdou diversos integrantes-, os Estados Unidos estiveram perto de retomar o diálogo com o Governo iraniano, então sob o reformista Mohamad Khatami. EFE jm-msh/jp

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