Líder dos EUA fará discurso em que deve anunciar retirada de 10 mil soldados até fim deste ano e de 20 mil até setembro de 2012

Obama em foto de 03/06/2011
AP
Obama em foto de 03/06/2011
O presidente dos EUA, Barack Obama, planeja anunciar em discurso às 20 horas desta quarta-feira (21 horas em Brasília) a retirada de mais de 30 mil soldados do Afeganistão até setembro de 2012, dois meses antes das eleições presidenciais, apressando o fim de um longo conflito que tem sido mais custoso do que o imaginado quando lançado em resposta aos ataques do 11 de Setembro de 2001.

Em um pronunciamento na Casa Branca, Obama deve dizer que retirará 10 mil soldados até o fim deste ano , de acordo com autoridades do governo e do Pentágono. Um adicional de 20 mil soldados deve retornar aos EUA até o fim do próximo ano, correspondendo a todas as forças extras cujo envio ele ordenou ao Afeganistão no fim de 2009 para melhorar o esforço de guerra no país.

Apesar disso, deixará em território afegão cerca de 70 mil soldados. Os EUA e os aliados da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) esperam colocar fim à missão de combate e transferir totalmente o controle às forças afegãs até o fim de 2014, um período de transição que finalmente pode acabar com o conflito.

Obama está sob crescente pressão política para reduzir a participação dos EUA no conflito, especialmente pelo fato de que Osama bin Laden , o homem considerado o motivo da guerra, está morto . As forças dos EUA encontraram e mataram o líder da Al-Qaeda no Paquistão em 2 de maio, um golpe significativo para uma organização que, ainda assim, ameaça os EUA.

Pelo menos 1,5 mil membros do Exército americano morreram e 12 mil ficaram feridos desde a invasão dos EUA no Afeganistão, em outubro de 2001. O custo financeiro da guerra passou de US$ 440 bilhões e agora está subindo por causa do pesado comprometimento militar, correspondendo a US$ 120 bilhões por ano, o dobro do total há dois anos.

A decisão de começar a retirada em julho se refere a uma promessa mantida por Obama. Apesar disso, o tamanho e o ritmo da retirada foram amplamente debatidos. O Exército fez lobby para uma redução mais modesta, mas Obama prometeu uma significativa à medida que o apoio à guerra esvaiu no país e no Congresso.

Soldados carregam caixão de militar morto na Província de Ghazni, no Afeganistão: ao menos 1,5 mil membros do Exército dos EUA morreram no conflito desde 2001
AP
Soldados carregam caixão de militar morto na Província de Ghazni, no Afeganistão: ao menos 1,5 mil membros do Exército dos EUA morreram no conflito desde 2001
Espera-se que a retirada inicial ocorra em duas fases, com 5 mil soldados voltando aos EUA neste verão (entre junho e setembro no Hemisfério Norte) e outros 5 mil até o fim do ano.

Para Obama, o objetivo é explicar a "manutenção do curso" para a população americana - os EUA ainda não estão saindo do Afeganistão -, sem as armadilhas de um grande discurso. Ele falará da Sala Leste, não do Salão Oval, e espera-se que discurse por cerca de 10 a 15 minutos, metade do tempo que passou quando anunciou o reforço militar, há quase 19 meses.

Obama argumentará que o reforço enviado cumpriu sua missão: erodir a capacidade dos militantes do Taleban e oferecer tempo e treinamento para que as forças afegãs fiquem prontas para liderar seu próprio país. Os EUA continuarão no Afeganistão primordialmente para impedir que o país se torne um refúgio da Al-Qaeda, a rede terrorista que baseou suas operações de treinamento no país antes de lançar o 11 de Setembro. O principal objetivo de Obama é derrotar a rede terrorista.

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