O governo do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, deixou tanto caos e ressentimento no mundo que seu sucessor na Casa Branca, Barack Obama, pode estar tentado a colocar em segundo plano as relações com a América Latina, diz editorial publicado na edição desta sexta-feira do jornal americano, The New York Times.

As relações dos Estados Unidos com o resto do continente americano são descritas pelo diário como "extremamente amargas".

Mas adiar um engajamento seria "miope", segundo o New York Times. "Há uma oportunidade única para melhorar as relações com uma região que compartilha de interesses e valores-chave com os Estados Unidos."
"E, como as relações estão ruins agora, não vai precisar de muito mais do que bom senso e sensibilidade para conseguir progressos."
E os líderes latino-americanos querem "saber que Washington está disposto a conversar seriamente - e não apenas fazer uma pregação - sobre tópicos importantes, inclusive narcotráfico, política energética, integração regional e imigração".

Brasil
Cuba, Venezuela e Brasil estão entre os países citados no editorial.

"Sobre energia, eliminar as tarifas para a importação de etanol ajudaria a reduzir a dependência de combustíveis fósseis e melhorar muito as relações com o Brasil", diz o jornal.

Com o afastamento de Fidel Castro do governo cubano, "Washington deveria testar as intenções de uma nova liderança cubana", afirma o New York Times, que defende a suspensão do embargo americano a Cuba.

A tarefa de aproximação da Venezuela estaria facilitada pela redução dos preços do petróleo no mercado internacional e da "estatura" do presidente Hugo Chávez.

"Nós não temos paciência com a maneira corrupta e autocrática de Chávez. Mas a administração Bush fez um enorme estrago à credibilidade americana em boa parte da região quando abençoou o que acabou sendo um golpe fracassado contra Chávez."
O líder venezuelano "explorou sentimentos anti-americanos" ao máximo, disse o editorial.

E o que o jornal chama de "decadência de Chávez", apresenta novos desafios, pois "as finanças de Cuba, assim como de Argentina, Nicarágua ou Honduras podem se deteriorar rapidamente se a Venezuela decidir reduzir suas remessas de petróleo barato e bilhões em ajuda".

"Washington tem que estar preparado para ajudar, com seus próprios recursos ou angariando apoio de organismos internacionais."
E o New York Times conclui que, "se ainda há uma dúvida sobre a necessidade de uma nova política para a região, (Obama) deveria levar em conta estes fatos: a América Latina fornece um terço das importações de petróleo da nação (americana), a maioria de seus imigrantes e virtualmente toda a sua cocaína."
"E, sim, está bem ao lado."

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