Por Ross Colvin CHICAGO (Reuters) - O presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, deverá nomear sua equipe de segurança nacional na segunda-feira, com o nome da ex-rival Hillary Clinton entre os cotados para secretária de Estado.

Como parte de um acordo com Obama para deixar o caminho livre para que sua esposa assuma o cargo, o ex-presidente Bill Clinton concordou em tornar públicos os nomes de mais de 200 mil doadores para sua fundação, segundo o jornal New York Times.

Uma fonte próxima a Hillary, a senadora que travou batalhas com Obama na disputa pela nomeação democrata, disse no domingo que "ela vai estar em Chicago amanhã para ser nomeada secretária de Estado".

Outros nomes cotados para cargos-chave são: o atual secretário de Defesa Robert Gates, um republicano que ficaria na nova administração democrata, o general da reserva James Jones, possível assessor de segurança nacional da Casa Branca, e Susan Rice, uma assessora de política internacional de Obama, como embaixadora da ONU.

A equipe de segurança nacional de Obama vai enfrentar tarefas como resolver a situação das tropas no Iraque, enfrentar o Taliban no Afeganistão e reconstruir a imagem dos Estados Unidos no exterior após oito anos de administração do presidente George W. Bush.

As nomeações devem acontecer em meio a outro desafio de segurança global com os ataques à cidade indiana de Mumbai que mataram quase 200 pessoas e ameaçam o progresso nas relações entre a Índia e a nação vizinha com armas nucleares, o Paquistão.

Um comunicado do escritório de Obama no domingo anunciou que membros de seu gabinete serão nomeados durante uma entrevista coletiva às 10h40 de segunda-feira (13h40 no horário de Brasília). O vice-presidente eleito, Joe Biden, também vai participar da sessão em que outras autoridades da próxima administração deverão ser apontadas.

A imprensa norte-americana informou que Obama vai nomear um ex-funcionário do Departamento de Justiça Eric Holeder como procurador-geral e a governadora do Arizona, Janet Napolitano, como chefe da segurança nacional.

O senador de Indiana Richard Lugar, um republicano do Comitê de Relações Exteriores do Senado, elogiou a possível nomeação de Hillary Clinton, mas deixou claro que as atividades do marido dela serão examinadas a fundo.

"Eu votaria a favor da senadora Clinton, sabendo o que temos aqui", sobre as revelações de Bill Clinton sobre a fundação, disse Lugar ao programa This Week, da ABC.

"Eu suspeito, no entanto, que não estou sozinho em sugerir que vão ser feitos questionamentos, e provavelmente questões legítimas", disse Lugar.

O jornal New York Times, citando fontes democratas, afirmou que Bill Clinton havia decidido tornar pública a lista de seus doadores para evitar a impressão de conflitos de interesses com as obrigações de sua esposa como diplomata dos Estados Unidos.

Clinton entregou os nomes de todos os 208 mil indivíduos e organizações que deram dinheiro à entidade desde 1997, segundo o Times, e a fundação vai divulgá-los no fim do ano.

Doadores futuros também vão ser revelados desde que Hillary Clinton esteja no gabinete de Obama, segundo o jornal.

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