Obama detalha propostas e parte para ofensiva contra McCain

O candidato democrata à Presidência dos Estados Unidos, Barack Obama, ofereceu um relato mais detalhado de suas propostas de governo e partiu para a ofensiva contra o rival republicano John McCain, no pronunciamento que realizou no encerramento da Convenção Nacional Democrata, em Denver. A exibição de Obama na convenção, na noite desta quinta-feira, foi uma resposta às críticas de que ele teria sido evasivo ao falar de suas propostas de governo ao longo da campanha presidencial e de que teria se deixado intimidar pelos anúncios negativos e os ataques lançados pela campanha de McCain.

BBC Brasil |

O desempenho do democrata pareceu também indicar os passos que ele dará nos próximos meses, a fim de dissipar possíveis dúvidas de eleitores a respeito de sua plataforma de governo.

Obama também indicou claramente que partirá para a ofensiva contra McCain, que, segundo recentes pesquisas de opinião, avançou nas pesquisas e agora encosta no democrata.

Evento
O discurso do senador foi realizado em um estádio de futebol americano e reuniu mais de 80 mil pessoas.

O pronunciamento do primeiro candidato negro à presidência dos Estados Unidos ocorreu em uma data com forte valor simbólico - exatos 45 anos após o reverendo Martin Luther King ter feito o seu lendário discurso no qual lançou a frase ''Eu tenho um sonho''.

O candidato enfatizou a sua proposta de mudança, frisando que o seu projeto político e a visão de governo dos democratas associam o progresso econômico à prosperidade da população média, ao contrário da atual administração de George W. Bush, que supostamente passou os últimos oito anos privilegiando grandes grupos econômicos.

''Nosso governo deveria trabalhar por nós, não contra nós. Deveria nos ajudar, não nos ferir. Deveria garantir oportunidades não apenas para aqueles que têm dinheiro e influência, mas todo americano que está disposto a trabalhar.''
Obama também procurou destacar o que está por trás do mote de mudança de sua campanha.

''Deixe-me soletrar exatamente o que representará mudança quando eu for presidente. Mudança significa criar um sistema de impostos que não recompensa os lobistas que o criaram, mas sim os trabalhadores e empresas americanos que merecem.''
Propostas
O democrata prometeu um alívio fiscal para a classe média, disse querer facilitar o acesso ao ensino universitário, estimulando aqueles que ingressarem em universidades, mas que não contam com recursos para pagar tais instituições, a realizar serviços voluntários.

Ele propôs também um serviço de saúde mais acessível à população de baixa renda, mas não falou em serviço de saúde universal, como defendiam alguns de seus rivais na disputa das primárias, como Hillary Clinton e John Edwards.

O senador também procurou contrastar a sua postura mais protecionista em temas econômicos contra o liberalismo do rival republicano.

''Ao contrário de John McCain, eu vou pôr fim à isenção fiscal para corporações que terceirizam empregos para outros países e começarei a dar isenções para as companhias que criam empregos aqui na América.''
Obama, assim como os vários oradores da convenção democrata, procurou associar McCain a George W. Bush em diversas ocasiões.

''John McCain votou com George W. Bush em 95% das vezes. O senador McCain gosta de falar de poder de julgamento, mas o que é que se pode concluir de seu julgamento quando você acha que George W. Bush está certo mais de 90% das vezes.''
McCain
O demorata também atacou o republicano naquele que é considerado o ponto forte do rival, a política externa. Obama procurou mostrar que a defesa feita por McCain da guerra no Iraque tornou os Estados Unidos mais vulneráveis a uma ameaça terrorista.

''Enquanto o senador McCain voltava suas atenções para o Iraque, dias após os ataques de 11 de setembro, eu me posicionei contra esta guerra, sabendo que ela seria uma distração diante das ameaças que nós verdadeiramente enfrentamos", disse.

"Eu pedi mais recursos e soldados para terminarmos a luta contra os terroristas que de fato nos atacaram em 11 de setembro, e deixei claro que precisávamos eliminar Osama Bin Laden e seus seguidores.(...) John McCain gosta de dizer que seguirá Osama Bin Laden até os portais do inferno, mas ele não vai sequer até a caverna onde ele se encontra.''
Obama se colocou como um seguidor de alguns dos mais conceituados líderes democratas e rebateu a crítica de que os democratas são frouxos quando se trata de defender os Estados Unidos de ameaças internacionais.

''Somos o partido de (Franklin D.) Roosevelt, somos o partido de (John F.) Kennedy. Então, não venha me dizer que os democratas não defenderão este país. Não venha me dizer que os democratas não nos deixarão seguros. A política externa de Bush-McCain desperdiçou o legado que gerações de americanos - republicanos e democratas - construíram. E nós estamos aqui para restaurar esse legado.''

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG