Obama destitui general do comando das tropas no Afeganistão

Presidente diz que comandante dos EUA no Afeganistão cometeu "erro de julgamento" ao fazer declarações polêmicas a Rolling Stone

iG São Paulo |

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou nesta quarta-feira a renúncia do general Stanley McChrystal do comando das tropas do país e da Otan no Afeganistão, após as críticas formuladas pelo militar contra altos cargos do governo . Obama nomeou o general David Petraeus para o lugar de McChrystal no comando das tropas americanas no Afeganistão, informou uma fonte oficial nesta quarta-feira.

"Aceitei a renúncia do general Stanley McChrystal. Faço-o com grande tristeza, mas sei que é o correto para a missão de nossas tropas, para o Afeganistão e para nosso país", declarou o presidente americano.

Reuters
Ao lado de seu vice, Joe Biden, Barack Obama anuncia a nomeação do general David Petraeus (dir.) para o lugar de Stanley McChrystal

"Essa é uma mudança de comando, mas não é uma mudança de conduta", afirmou Obama ao anunciar a destituição de McChrystal. Segundo Obama, o general David Petraeus participou de todas as as negociações sobre a estratégia para o Afeganistão desde o começo de seu mandato.

Principal comandante dos EUA no Afeganistão, McChrystal fez críticas a Obama e outros integrantes do governo em uma reportagem publicada na revista "Rolling Stone". Obama disse que a saída de McChrystal é "a decisão certa para a segurança nacional". O presidente americano disse que aceita o debate sobre a guerra, mas "não vai tolerar divisões".

McChrystal, 55 anos, se formou na Academia militar americana em 1976. De 2003 a 2008 foi o chefe do Comando de Operações Especiais da guerra do Iraque. Em 2009, foi escolhido por Obama para comandar as operações da guerra do Afeganistão.

Críticas ao governo

Na reportagem da "Rolling Stone" , McChrystal, comandante dos 142 mil soldados da coalizão no Afeganistão, ironiza abertamente o vice-presidente Joe Biden, conhecido por seu ceticismo ante a estratégia militar no país asiático.

No perfil, o autor Michael Hastings escreve que McChrystal e sua equipe imaginaram formas de subestimar Biden com uma única oração, enquanto se preparavam para um sessão de perguntas e respostas em abril em Paris. O general estava cheio de questões sobre Biden desde que previamente desconsiderou uma estratégia de contraterrorismo oferecida pelo vice americano. "'Você está perguntando sobre o vice-president Biden?' diz McChrystal com uma risada. 'Quem é ele?'"

McChrystal também diz se sentir "decepcionado" por uma reunião que manteve com Obama na qual não se entenderam e inclusive "traído" pelo embaixador dos EUA em Cabul, Karl Eikenberry, que se mostrou publicamente contra o envio adicional de 40 mil soldados ao Afeganistão solicitado pelo general no final do ano passado.

© AP
Primeira página da reportagem da "Rolling Stone" sobre o general, que será publicada sexta-feira

O general também fez comentários jocosos também sobre o enviado especial dos EUA para o Afeganistão e o Paquistão, Richard Holbrooke. Além disso, um assessor não identificado de McChrystal comenta no artigo que o general ficou frustrado depois de se reunir com Obama há um ano. "Foi uma sessão fotográfica de 10 minutos", afirmou esse assesor. "Obama claramente não sabia nada sobre ele, quem era ele... Ele não parecia muito comprometido", acrescentou.

Desculpas

McChrystal pediu desculpas pelo artigo . Dois oficiais da Defesa disseram que o general também demitiu um assessor de imprensa por causa da matéria, que será publicada na edição de sexta-feira da "Rolling Stone".

"Ofereço minhas mais sinceras desculpas por esse perfil. Foi um erro que reflete equívocos de avaliação e nunca deveria ter acontecido", admitiu o general em comunicado divulgado à imprensa. "Ao longo da minha carreira, vivi sob os princípios da honra pessoal e da integridade profissional. O que se reflete nesse artigo está muito longe" dessas ideias, afirmou.

"Tenho um enorme respeito e admiração pelo presidente Obama e sua equipe de segurança nacional, assim como pelos líderes civis e os soldados que lutam nessa guerra (afegã), e sigo comprometido em assegurar um resultado bem-sucedido", disse.

* Com EFE

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