Obama desiste do projeto de escudo antimísseis de Bush na Europa

Os Estados Unidos decidiram abandonar seu projeto atual de escudo antimísseis na Europa depois de terem revisado para baixo a ameaça iraniana, devido a uma nova estratégia que o presidente Barack Obama classificou nesta quinta-feira de nova abordagem adaptada a mísseis de curto e médio alcances.

AFP |

"O melhor meio de aperfeiçoar nossa segurança e a segurança de nossos aliados, de maneira responsável, é mobilizar um sistema de defesa antimísseis que responda melhor às ameaças que enfrentamos e que utilize tecnologias testadas pelas quais pagaremos o preço justo", disse Obama em uma declaração na Casa Branca, apresentando essa "nova abordagem".

Ele afirmou, entretanto, que os Estados Unidos continuam a ver "uma ameaça importante" nas atividades balísticas iranianas e que seu antecessor George W. Bush tinha razão nesse ponto.

O porta-voz do Pentágono, Geoff Morrell, confirmando as informações reveladas mais cedo pelo Wall Street Journal, havia, anteriormente, prometido o anúncio de "um ajuste maior" do sistema de defesa antimísseis europeu, que previa até então a instalação até 2013 de um radar na República Tcheca e de interceptores de mísseis balísticos de longo alcance na Polônia.

A ameaça dos mísseis iranianos de longo alcance "não é tão imediata quanto se imaginava antes", indicou nesta quinta-feira o secretário norte-americano de Defesa Robert Gates para justificar o abandono do projeto atual.

"O projeto anterior se baseava na estimativa segundo a qual o Irã estaria determinado a desenvolver um programa de mísseis de longo alcance (ICBM)", mas, "de acordo com as últimas informações, eles estão muito mais concentrados no desenvolvimento de capacidades de curto e médio alcances", explicou Geoff Morrell.

Washington pretende, em consequência dessa mudança de rumo do projeto, mobilizar em 2015 em Polônia e República Tcheca mísseis SM-3, concebidos para destruir mísseis balísticos de curto e médio alcance, como parte do novo sistema antimísseis, explicou Gates.

O anúncio do abandono do projeto da era Bush suscitou imediatamente a desaprovação de políticos republicanos do Congresso, assim como a do senador John McCain, para quem essa decisão "unilateral é um grave erro" que "corre o risco de minar a percepção de liderança norte-americana no Leste Europeu".

O Pentágono negou ter cedido às exigências de Moscou, que se opunha fortemente ao projeto.

Moscou negou ter concluído qualquer acordo secreto e troca da decisão norte-americana, que o porta-voz do Ministério russo das Relações Exteriores, Andreï Nesterenko, classificou de "sinal positivo".

O presidente russo Dmitir Medvedev reagiu de imediato celebrando a "decisão responsável" de Obama.

Mas na Polônia e na República Tcheca as reações de decepção foram imediatas.

"Se isso se confirmar, será um fracasso do pensamento de longo prazo do governo norte-americano nesta parte da Europa", declarou à rede TVN24 Aleksander Szczyglo, chefe da gabinete para a segurança nacional da Presidência polonesa.

"Não é uma boa notícia para o Estado tcheco, para a liberdade e para a independência da República Tcheca", declarou o ex-primeiro-ministro tcheco Mirek Topolanek, cujo governo de centro-direita assinou com Washington um acordo para a instalação de um radar em seu país.

Obama tentou nesta quinta-feira de tranquilizar os aliados europeus dos Estados Unidos na Otan, afirmando que sua proteção sairia reforçada pela revisão do projeto.

dab-bur/dm

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